Uma das questões que faz parte do questionário dos Censos 2011 assume que quem estiver a recibos verdes com horário de trabalho e com subordinação hierárquica é considerado trabalhador por conta de outrem. Já em 2008, no processo de consulta pública, os movimentos de trabalhadores precários e o Bloco de Esquerda tinham alertado e manifestado a sua discordância relativamente à forma de “tratamento estatístico” da situação de “recibos verdes”.
Segundo o deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro, esta é uma maneira de "ocultar os falsos recibos verdes, é mascarar a realidade do trabalho precário e estatisticamente esses trabalhadores desaparecem”, sendo que, a “partir do momento em que a fotografia do país oculta a precariedade, os diagnósticos sairão errados".
Perante esta situação, o Bloco requereu, com carácter de urgência, a presença do ministro Pedro Silva Pereira no Parlamento quer para dar explicações sobre os censos e sobre a possível "ocultação da realidade dos falsos recibos verdes" como também sobre a situação laboral dos próprios recenseadores.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) já veio garantir, entretanto, que os inquéritos dos censos obedecem a recomendações internacionais, permitindo uma leitura e comparação correctas dos dados do emprego.