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Cavaco diz que renegociação da dívida "não deve passar pela cabeça de ninguém"

O Presidente da República volta a opor-se à renegociação da dívida em entrevista publicada este sábado. Na resposta, Francisco Louçã diz que ela é "imperativa para que Portugal não caia na situação da Grécia".
"Nunca fui favorável à criação da figura do presidente do Conselho Europeu", diz Cavaco na entrevista. Nesta foto aparece ao lado de Van Rompuy, actual detentor do cargo. Foto Conselho Europeu/Flickr

Na entrevista ao semanário Expresso, Cavaco Silva defende que "o cumprimento integral do memorando é o que melhor serve o interesse nacional". Na opinião do Presidente, se Portugal cumprir o acordo com a troika "não necessitará de outro programa de austeridade, pode é continuar a precisar de apoio, caso os mercados continuem a revelar desconfiança". Quanto às medidas previstas no acordo, Cavaco prevê que "não irão ser alteradas, porque são consideradas indispensáveis para que Portugal restabeleça os equilíbrios fundamentais nas finanças públicas", embora admita que possam existir "aperfeiçoamentos" ao longo do calendário de três anos.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Louçã reagiu às declarações de Cavaco Silva, destacando que “o Presidente da República sugere pequenos ajustamentos que não explicita e está a alimentar a esperança vã que evita a bancarrota prosseguindo a economia da bancarrota”. Louçã voltou a defender “uma auditoria à dívida e a sua renegociação”, que vê como necessária por causa dos juros de 3.5% que estão a ser cobrados "a uma economia que nos dois últimos anos caiu 4%".

Para o coordenador do Bloco de Esquerda, "é imperativa a renegociação para que Portugal não caia na situação da Grécia", em alternativa ao rumo apresentado pelo "Presidente da República, assim como o Governo e os autores da troika, que persistem em afirmar que o único caminho que Portugal deve seguir é o desta austeridade excessiva e deste desvio dos recursos para o sistema financeiro".

Na entrevista, Cavaco Silva também criticou a "deriva intergovernamental" protagonizada pela França e Alemanha, dizendo que "hoje parece que estes dois Estados se substituem às instituições: reúnem-se e até convocam para participar os responsáveis das instituições!". Cavaco Silva, que esteve ao lado de José Sócrates na recusa do referendo sobre o Tratado de Lisboa, diz agora que nas sucessivas revisões de tratados, "houve preocupação de reforçar a legitimidade democrática das instituições. O que há é uma dificuldade dos líderes europeus explicarem às suas opiniões públicas a importância do projecto europeu".

Para Louçã, o actual momento evidencia “a crise da União Europeia e regista o fracasso de uma estratégia que o Estado português seguiu ao longo dos últimos anos, que foi a de aceitar um diretório e uma configuração institucional com uma enorme autonomia para o Banco Central Europeu sem controlo da política económica e bancária”.

Louçã alertou ainda para uma das exigências da troika que o governo adiou para Agosto, a da redução da contribuição patronal para a segurança social, que vai exigir "um grande aumento, na ordem dos 4% do IVA".

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