"Há um reconhecimento da melhoria da economia portuguesa e é um alívio sobre a dívida pública portuguesa. E tudo o que for uma boa notícia para o país, ainda bem", começou por afirmar a Coordenadora Nacional do Bloco, em declarações aos jornalistas, durante uma ação de pré-campanha em Cascais, a propósito da decisão da subida do ‘rating' atribuído à dívida soberana portuguesa. Esta sexta-feira, a agência de notação financeira Standard and Poor's (S&P) tirou Portugal do 'lixo' e agora atribui-lhe o nível BBB-, um primeiro nível de investimento.
No entanto, segundo Catarina Martins, esta melhoria só foi possível por se ter "feito o contrário do que as agências de rating diziam", ou seja, promover melhores salários, melhores pensões, parar privatizações e proteger serviços públicos.
"Se há algo a retirar desta decisão é que realmente as agências de rating sabem pouco do que dizem e deram os conselhos errados ao nosso país; provou-se que o caminho que faz melhorar a vida das pessoas é o que melhora as condições do país", defendeu.
"Porque foi quando acabámos com os cortes nos salários e nas pensões, foi com o aumento do salário mínimo nacional, foi com o fim das privatizações e com a proteção dos serviços públicos que a economia começou a crescer e levou as próprias agências de rating a rever a sua posição", justificou.
Catarina Martins lembrou que “temos hoje um país ainda muito desigual, com enormes problemas e que não serão as agências de rating a resolvê-los”. Por isso, reiterou que “é preciso continuar com uma política determinada na recuperação de salários, pensões e serviços públicos”.
Questionada sobre o efeito deste “alívio” nas negociações do Orçamento do Estado, a Coordenadora do Bloco respondeu prontamente: “Não vamos agora fazer o que nunca fizemos que é negociar as soluções para o país com base na especulação da agências de rating”.
"Fizemos o oposto do que fez Passos Coelho e ainda bem"
Catarina Martins desvalorizou a posição assumida pelo líder do PSD, que considerou que se não tivesse havido uma alteração de Governo, "muito provavelmente essa melhoria teria ocorrido mais rapidamente". "Passos Coelho também dizia que era preciso cortar 600 milhões de euros nas pensões, todos os anos, para que o rating mudasse. Fizemos o oposto disso e ainda bem", alegou Catarina.
“Lembro que quando PSD ganhou as eleições, dizia que num espaço de seis meses a um ano, o rating da República iria melhorar, deixar de ser lixo; depois, passaram quatro anos, quatro Orçamentos do Estado e o rating manteve-se no lixo”, acrescentou ainda.
Segundo a Coordenadora do Bloco, é “evidente” qual é o caminho a seguir e repetiu: "Havendo um caminho que protege mais as pessoas, este é seguramente o caminho para um crescimento económico que seja sustentado".
A direita, FMI, Comissão Europeia e as agências de rating vaticinaram "que a economia portuguesa ficaria melhor se fossem cortados salários, pensões e serviços públicos; mas agora prova-se que as próprias agências de rating reconhecem que estavam erradas", concluiu.
Bloco quer rigor nas contas públicas
Catarina Martins afirmou que “o Bloco quer rigor nas contas públicas” e apontou o que foi a “falta de rigor” dos anos do governo PSD-CDS: “Falta de rigor foi o que direita fez com os cortes temporários que queria permanentes, a promoção das PPP's (Parcerias Público-Privadas) e as privatizações a preço de saldo”.
Para o Bloco, exemplificou Catarina, “rigor” é a recuperação dos rendimentos do trabalho e de forma sustentada, “o que faz crescer a economia”; é orçamentar os serviços públicos “com as verbas que precisam para trabalhar de forma eficiente e responder às necessidades das populações”; e também “combater as rendas nos contratos com o setor da energia, que fazem com que a fatura da eletricidade seja tão alta e abusiva”.
Autárquicas: Bloco quer ser decisivo nos concelhos e nas freguesias
Na visita ao mercado de Tires, em Cascais, Catarina Martins afirmou ainda que “a política nacional tem, necessariamente, influência sobre a política autárquica, mas esta é sobre autarquias”. Por esta razão, explicou, “o Bloco está nesta campanha autárquica para poder ser decisivo nos concelhos e nas freguesias, colocando as questões fundamentais, como a da transparência nas autarquias ou a das reais condições de vida das populações”.
“Não deixar ninguém para trás”, é o objetivo do Bloco, disse Catarina, vincando que estavam, precisamente, “numa freguesia abandonada pela autarquia de Cascais”. A campanha autárquica do Bloco é sobre isto: “saber se as autarquias podem ou não fazer muito melhor pelas condições de vida reais da suas populações, no que diz respeito a transportes, habitação ou acesso a serviços públicos”.