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Catarina quer PAC a financiar diversificação florestal

Catarina Martins defendeu que a forma como serão gastos os 10 mil milhões de euros da Política Agrícola Comum determinará se temos “um território mais seguro com menos incêndios” ou a “desgraça dos incêndios ano após ano, cada vez maior com as alterações climáticas”.
Catarina Martins durante o comício de verão em Portimão. Foto de LUÍS FORRA/LUSA

Durante um comício de verão em Portimão, no qual participaram também o eurodeputado José Gusmão e o deputado eleito pelo círculo do Algarve, João Vasconcelos, Catarina Martins lembrou que, “há quatro anos mudámos a lei para reduzir área de eucalipto”, bem como “foram assinados novos compromissos para que finalmente chegássemos ao número mínimo de 500 equipas de sapadores florestais” distribuídas por todo o país.

Ainda assim, “no terreno pouco mudou”, lamentou a coordenadora nacional do Bloco.

Catarina Martins assinalou que o território manteve-se ao abandono, permitindo que os eucaliptos voltassem a crescer, e que não foi criada a carreira de sapador florestal. Com a oferta do salário mínimo nacional para trabalhar nas regiões mais despovoadas do país, não existem candidatos para ocupar estas vagas, explicou a dirigente bloquista.

Catarina Martins frisou que esta situação “não é uma fatalidade”. O fundo da Política Agrícola Comum (PAC), de 10 mil milhões até 2027, tem financiado latifúndio, terra improdutiva e “latifundiários que têm uma renda garantida, não fazem nada pelo país e nem sequer criam emprego”.

A coordenadora nacional do Bloco defendeu que a PAC deve servir para tornar o nosso território mais seguro e para diversificar floresta e que o emprego criado pela produção tem de contar para as contas da PAC.

"Qual é o sentido de se financiar o que não dá nenhum emprego? Porque é que, quando se conta o dinheiro da PAC, o emprego criado não conta no momento de distribuir esse dinheiro? Essa é a única maneira de povoar o território e se tivermos um território despovoado e abandonado ele vai ser cada vez mais perigoso", afirmou.

Catarina Martins enfatizou que a forma como serão gastos os 10 mil milhões de euros da Política Agrícola Comum determinará se temos “um território mais seguro com menos incêndios” ou a “desgraça dos incêndios ano após ano, cada vez maior com as alterações climáticas”.

“As alterações climáticas não são o futuro, são o nosso presente. E o combate às alterações climáticas e a mitigação dos seus efeitos é a maior responsabilidade que temos nestes tempos. E é para isso que convocamos toda a gente em toda a política”, referiu.

“Povos estão entalados entre duas insanidades: a do negocismo e a do negacionismo”

O eurodeputado José Gusmão realçou a importância da vacinação no combate à pandemia de covid-19 e a discussão das patentes das vacinas que está a decorrer no seio da União Europeia.

De acordo com José Gusmão, “a gestão desta pandemia tem entalado os países, os povos entre duas insanidades: a do negocismo e a do negacionismo. Entre grupos que têm promovido uma luta contra a ciência e têm desvalorizado a importância dos processos de vacinação, principal instrumento para combater e vencer a pandemia, e as empresas e os estados que quiseram fazer desta pandemia uma oportunidade de negócio”.

Para o eurodeputado a resposta tem de passar por políticas públicas e que defendam o interesse público.

José Gusmão fez referência à questão das patentes das vacinas desenvolvidas com dinheiros públicos, lembrando que, quando o Bloco defendeu o fim das patentes, esta era uma proposta minoritária. Entretanto, muitos governos mudaram de opinião. O eurodeputado frisou que as vacinas têm de ser um bem público e que, se não tivermos uma resposta global, “não estaremos seguros em lado nenhum”.

José Gusmão falou ainda sobre como, durante a pandemia, cadeias de produção e distribuição de meios essenciais deixaram de existir, perante uma ausência de resposta e de estratégia de desenvolvimento do país por parte do Governo.

O dirigente bloquista apontou que tem sido fomentada uma “agricultura predatória que destrói solos e põe em causa recursos aquíferos, virada para a exportação”, e que os apoios têm sido canalizados para grandes proprietários e rentistas. Em contraposição, José Gusmão afirmou que Portugal precisa de uma “produção pensada para o longo prazo que garanta a sustentabilidade do território, dos solos e dos recursos aquíferos”.

A urgência de um Programa de Emergência Social e Económico para o Algarve

João Vasconcelos, deputado eleito pelo círculo do Algarve e candidato do Bloco à Câmara de Portimão, onde é atualmente vereador, falou sobre os impactos pandémicos nesta região, que se agravam com a monocultura do turismo, e sobre como os apoios sociais não estão a chegar atempadamente aos algarvios.

Quo Vadis Algarve

João Vasconcelos

O deputado defendeu a proposta bloquista de um Programa de Emergência Social e Económico para o Algarve, frisando que é fundamental aproveitar o momento para tentar alterar o paradigma do desenvolvimento regional, apostando na diversificação do tecido económico. 

João Vasconcelos abordou ainda a questão das alterações climáticas, com consequências particulares na região do Algarve, e sublinhou a importância da luta contra os atentados ambientais que põem em causa a sustentabilidade do território e os algarvios.

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