Catarina Martins: “Enganam-se os que pensam que há um interior resignado”

30 de julho 2017 - 1:52

Perante as cerca de duas centenas de pessoas que assistiram este sábado ao comício do Bloco em Vila Flor, distrito de Bragança, Catarina Martins afirmou que “há cada vez mais vozes que se juntam para dizer que podemos fazer muito melhor e que nenhuma parte do território pode ficar para trás”.

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Durante a sua intervenção no comício em Vila Flor, concelho do distrito de Bragança onde o Bloco apresenta pela primeira vez uma candidatura, liderada por Rui Guerra, a dirigente bloquista começou por fazer o balanço do acordo com o PS, vincando que “passado um ano, a economia, em Portugal, começou a crescer”, o país tem “a taxa de desemprego mais baixa da última década” e, “mais importante” ainda, criaram-se “mais de 150 mil postos de trabalho”.

“Hoje sabemos que não há ninguém que possa negar, no país, que a estratégia de combate ao empobrecimento foi importante para cada uma das pessoas que aqui trabalha e que, para além disso, é boa para a economia”, frisou Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco destacou que recuperar salários e pensões responde “à dignidade das pessoas, mas também à economia real do país, porque quem vive do seu salário, da sua pensão, não vai a correr pôr o seu dinheiro num offshore como os abutres das privatizações”.

“Vai gastá-lo aqui, naquilo que precisa, vai fazer a economia mexer”, avançou.

Para Catarina Martins, “não deixa de ser irónico que depois de, há um ano, termos ouvido a direita tão furiosa dizendo do perigo que era o aumento do salário mínimo nacional, e como esse aumento ia provocar desemprego, hoje, quando se vê que, na verdade, uma estratégia diferente criou emprego, vejam lá que Pedro Passos Coelho veio dizer que o emprego foi criado graças ao governo da direita”.

A dirigente bloquista referiu que “ouve-se de tudo no país e, às vezes, falta um bocadinho de bom senso, mas onde pode faltar senso da direta, não falta consciência de quem aqui vive, de quem aqui trabalha, de quem tem uma vida que é dura e que sabe que os passos da dignidade são os passos de que o nosso país precisa. E os passos que demos até agora foram muito tímidos”.

Catarina Martins considera que “os bons resultados económicos e os passos dados ainda não chegam”, lembrando que “há 2,6 milhões de pessoas a viverem em situação de pobreza em Portugal, pensionistas a fazerem contas difíceis todos os dias, trabalhadores a quem o salário não chega, e que há tanta gente sem emprego”.

“A nossa responsabilidade é fazer melhor, é fazer mais”, vincou.

A coordenadora do Bloco assinalou também que existem “três fatores essenciais a focar nos próximos tempos”.

Em causa está “a melhor distribuição do esforço que é feito”. Questionando como é que os rendimentos do trabalho podem pagar tanto e os rendimentos do capital tão pouco, Catarina Martins defendeu o caminho da justiça fiscal.

Por outro lado, a dirigente bloquista sinalizou que é preciso proteger quem trabalha, priorizar o direito ao trabalho e o acesso às pensões.

Catarina Martins lembrou a desigualdade entre quem é obrigado a trabalhar tantos anos e tantas horas e quem quer trabalhar e não pode, ou a realidade de quem começou a trabalhar criança e nunca mais tem direito à pensão por inteiro.

A coordenadora do Bloco referiu ainda o exemplo dos despedimentos promovidos pela Altice na PT e a necessidade de sermos “duros em matérias como a legislação laboral”.

O terceiro fator é, segundo a dirigente bloquista, “combater o abandono do território do interior", sendo que há que responder “aos desafios do desenvolvimento e do ordenamento do território”.

O Bloco entende que “é muito necessária” a descentralização em debate no país, mas Catarina Martins alertou: “Não podemos é cair no engano de achar que descentralizar é passar competências para autarquias que não têm meios”.

“Municipalizar serviços num país que é tão desequilibrado sem encontrar mecanismos de solidariedade nacional e de corresponsabilização democrática significa apenas que as povoações mais pequenas vão ter serviços públicos de segunda e nós isso não podemos aceitar”, destacou.

Segundo Catarina Martins, nas próximas eleições autárquicas, o trabalho tem de assentar em três princípios fundamentais: a transparência, na medida em que as autarquias têm de prestar contas sobre o que fazem, e que “não podemos ter um poder autárquico clientelar”; a efetivação de direitos das pessoas, já que o que interessa saber é como se vive em cada lugar, que direitos são assegurados; e não deixar ninguém para trás. 

“É possível a mudança, a atual situação de Vila Flor não é uma fatalidade”

Rui Guerra, candidato à Câmara Municipal, salientou que “lutar por Vila Flor é um desígnio”, que já há muito tempo que o faz e nunca deixará de o fazer.

“É possível a mudança, a atual situação de Vila Flor não é uma fatalidade”, afirmou Rui Guerra, que se afirma um socialista "desiludido" com a liderança de 24 anos do PS.

O candidato avançou que “as terras têm vida se tiverem gente”, sinalizando a inexistência de uma zona industrial em Vila Flor e a incapacidade do atual executivo para atrair investidores locais e de fora do concelho.

O funcionário da Autoridade Tributária de 56 anos lamentou ainda que Vila Flor tenha agora "pouco para oferecer", obrigando os mais jovens a partirem “tristes e revoltados”.

“Queremos ser representantes de todos, ser os fieis depositários das vossas esperanças e sonhos e ajudar a concretizá-los”, disse Rui Martins, garantindo que a candidatura pugnará pela “defesa intransigente dos verdadeiros interesses deste concelho e da sua gente”.

Jóni Ledo, candidato à Assembleia Municipal, salientou que “é hora de o Bloco assumir a Assembleia e a Câmara com toda a sua força para mudar o rumo do concelho”.

Fazendo referência às pressões que se fazem sentir sobre todos aqueles que procuram uma alternativa ao poder instalado, Jóni Ledo sublinhou que “na mesa de voto ninguém nos vai tirar a liberdade democrática que o 25 de abril nos trouxe”.