Está aqui

Catarina garante que voto no Bloco “abre a porta” ao direito à habitação

O governo prometeu 170 mil casas a custos controlados em 2017 mas agora o PRR só prevê 26 mil. “Enquanto se atiram muitos milhões de propaganda foi-se retirando no que era mais importante: acesso à habitação”, afirma a coordenadora do Bloco.
Catarina Martins em Aveiro.
Catarina Martins em Aveiro.

Na noite de sexta-feira, Catarina Martins esteve presente no comício autárquico do Bloco de Esquerda em Aveiro no qual centrou a sua intervenção na questão da habitação e na necessidade de uma “política nova” que dê resposta às crises ambiental e da desigualdade social.

A política nova que o Bloco quer contrasta com a política velha “em que a habitação é um problema que o mercado há-de resolver”, nos transportes se diz “ou andam de carro ou não andem”, “onde o ambiente não conta para nada, em que o normal é ignorar qualquer problema enquanto se sorri e corta fitas”. E um bom exemplo desta é precisamente o autarca de Aveiro, Ribau Esteves, que “tem sido um ótimo facilitador de negócios” mas “péssimo a ouvir a população, a responder às necessidades de quem aqui vive e trabalha”. Para o Bloco, o poder local “não ser arrogância, tem de ser a proximidade, tem de ser o cuidado, a democracia, a transparência”. E esta arrogância é personalizada por um presidente da Câmara “se virou para uma mulher que ficou sem transportes e lhe disse que lhe dava boleia na bagageira do carro”.

Catarina Martins considera que “a maior crise dos concelhos é a enorme desigualdade”. E “este país desigual também se cuida nas autarquias”, sendo preciso que as autarquias “não encolham os ombros a quem está abandonado”, saibam “que é preciso creches, escolas, jardins de infância com qualidade e acesso à saúde” e que quando alguém com dificuldade precisa de ajuda deve ter um serviço domiciliário e não deve ser obrigado a estar institucionalizado quando não quer”.

A esta crise, junta-se a “maior crise do planeta que é a crise climática”. Aqui também há uma escolha a fazer entre a velha política em que “cada autarquia pode dizer que isso é muito complicado e que não é para nós é para toda a gente” ou a nova que assume a responsabilidade e sabe que “o problema das alterações climáticas nem é longe nem é do futuro. É aqui e agora e não temos tempo”.

Cada tostão investido em habitação será bem investido

O resto da intervenção da porta-voz bloquista foi dedicado aos problemas habitacionais do país. O Bloco não esquece “quem começa a trabalhar, quer sair de casa dos pais, quer autonomia e não consegue”, “aqueles para quem o salário fica cada vez mais curto porque os preços da habitação cresceram 30% acima dos salários”, “quem trabalhou toda uma vida e é expulso de sua casa pela especulação imobiliária”, “quem vive em casas frias demais no Inverno e quentes demais no verão” e “quem precisa de uma casa adaptada às suas necessidades” porque a habitação é “um direito fundamental que nenhuma democracia pode ignorar”.

Por isso, o partido anuncia como “prioridade clara de investimento” a habitação. E contrasta com a política do governo que “vai anunciando milhões” e “no meio de tanto milhão anunciado às vezes esconde-se que o que está programado não são mais casas mas menos casas do que tinha sido o compromisso do governo em 2017”. Ou seja, lembra Catarina Martins, que o executivo socialista prometera 170 mil casas com preços controlados até 2026 mas agora o Programa de Recuperação e Resiliência só prevê 26 mil. Isto ao mesmo tempo que “há 46 mil famílias em Portugal a precisar de habitação com urgência”. “Enquanto se atiram muitos milhões de propaganda foi-se retirando no que era mais importante: acesso à habitação”, afirma.

O Bloco pretende que essas 170 mil casas sejam construídas. E diz que estas podem ser pagas com as contrapartidas europeias, com o parque habitacional público que existe e pode ser recuperado, com a propriedade pública que existe no país e que pode ser usada para a habitação. Esse será o “investimento mais seguro que este país pode ter” porque “ao contrários do senhores das negociatas imobiliárias que espatifam milhões e vão às comissões de inquérito dizer que não se lembram de nada quem vive do seu salário, da sua pensão, não se esquece que tem de pagar a sua renda” e “porque se investe no futuro, nos direitos e nas contas certas”. Estas são as “contas certas no avesso dos anúncios de milhões que escondem a desistência de responder aos problemas do país” e o Bloco crê ser necessário “para garantir a transparência, que o povo é defendido, para acabar com os milhões que passam pelo país ficam numa elite e os problemas permanecem”.

Termos relacionados Política
(...)