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Catarina desafia governo a vetar orçamento no Conselho Europeu

Os cortes anunciados a Portugal nos fundos da Política Agrícola Comum e dos fundos de coesão são “um absurdo”, afirmou Catarina Martins na Feira Nacional da Agricultura.
Carlos Matias, Catarina Martins e Vasco Garcias, presidente do CNEMA - Centro Nacional de Exposições de Santarém.
Carlos Matias, Catarina Martins e Vasco Garcias, presidente do CNEMA - Centro Nacional de Exposições de Santarém. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

A coordenadora do Bloco reagiu este domingo com “muita preocupação” às propostas para a Política Agrícola Comum (PAC) e os fundos de coesão destinados a Portugal, que representam cortes num montante superior a 2.200 milhões de euros.

“O orçamento que é proposto pela União Europeia penaliza particularmente Portugal”, com o país a sair prejudicado “por estar a criar emprego. É um absurdo”, declarou Catarina Martins aos jornalistas durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura em Santarém com o deputado Carlos Matias.

Caso as negociações não resultem em alterações substanciais na proposta apresentada, “o governo português tem a possibilidade, e deve utilizá-la, de não aceitar este orçamento”, prosseguiu Catarina, concluindo que “ou este orçamento é melhorado e faz algum sentido ou, se não o for, o governo português pode vetá-lo em Conselho Europeu, como qualquer outro governo”.

“Não podemos aceitar que sejam feitas regras na UE que beneficiam os grandes países e prejudicam países como Portugal. Os países que já ganham mais com o euro, são aqueles que vão continuar a ganhar com os fundos”, acrescentou Catarina, sublinhando que os cortes na PAC vão prejudicar sobretudo os pequenos produtores, enquanto os cortes nos fundos de coesão aprofundam o abandono do interior do país, que sai duplamente penalizado, pois também sofre os cortes na PAC.

Por outro lado, lembrou que os fundos que são retirados na PAC e nos fundos de coesão no orçamento da UE “são enviados para a indústria de armamento francesa, italiana e espanhola, o que não é aceitável”.

“Se o governo português não toma uma posição de força, não estamos a ver nenhuma vontade dos outros países de alterarem”, constatou Catarina, lembrando as palavras de Merkel na recente visita a Portugal, onde afirmou que não era possível fazer grandes alterações à proposta.

“Compreendemos que para o governo alemão, a situação seja simpática: a Alemanha é o país que ganha mais com o euro, é o país cuja alteração dos fundos corresponde à sua estratégia de militarização da Europa, e é o pais que não é prejudicado na aplicação dos fundos europeus”, sublinhou Catarina.

Para a coordenadora bloquista,  com este orçamento “Portugal é prejudicado triplamente”: no desenho da política do euro, nos cortes da PAC que prejudicam sobretudo os pequenos produtores e nos cortes dos fundos de coesão que vão abandonar mais o interior do país.

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