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Catalunha: milhares voltam a reclamar independência nas ruas

Depois da pandemia, o independentismo voltou a fazer-se escutar na Catalunha. Mas a esquerda independentista está divida sobre as negociações com o governo espanhol.
Manifestação deste sábado em Barcelona. Fonte: Twitter ERC.
Manifestação deste sábado em Barcelona. Fonte: Twitter ERC.

Vários milhares de pessoas saíram este sábado à rua para comemorar o Diada, o Dia da Catalunha. Depois de uma paragem nas mobilizações, por causa da situação pandémica, a marcha que começou na praça Urquinaona marca um regresso à luta pela independência catalã.

Convocada pela Assembleia Nacional Catalã, pelo Òmnium Cultural e pela Associação dos Municípios pela Independência, a jornada teve como lema "Vamos lutar e conquistar a independência". A principal reivindicação é a de um novo referendo sobre a autodeterminação da Catalunha depois da crise aberta pelo referendo de outubro de 2017, convocado pelo governo regional mas não reconhecido pelos organismos do Estado espanhol. Na altura, o sim à independência ganhou com 2.044.038 num total de 5.313.564 eleitores. Na sequência, Carles Puigdemont declarou a independência unilateralmente mas com efeitos suspensos de forma a que fosse aberto um processo de diálogo. O Tribunal Constitucional declarou o referendo como ilegal e os organizadores têm sido perseguidos desde então pelas autoridades espanholas sob a acusação de “rebelião, sedição, desvio de fundos públicos e desobediência à autoridade”.

O atual governo espanhol promete negociações com o movimento independentista mas com a exigência de um referendo que poderia resultar efetivamente numa vitória da independência a não poder ser por si satisfeita, vários setores independentistas questionam a estratégia de alimentar esperanças neste tipo de processo.

A questão divide os principais partidos da esquerda independentista catalã. A Esquerda Republicana da Catalunha detém a presidência da Generalitat. Governa em conjunto com o Junts per Catalunya, partido independentista de centro-direita e na investidura contou ainda com o apoio à esquerda da CUP, Candidatura de Unidade Popular.

Pere Aragonès, o presidente da Generalitat é a favor das negociações, aliás lidera-as, mas admite que “é a negociação mais difícil da história da Catalunha nas últimas décadas”. Do seu ponto de vista, “nenhum ativista pró-independência, nenhum democrata, deve ter qualquer remorso pela oportunidade de se apresentar ao Estado para defender o direito à autodeterminação e à amnistia”. Por isso, declara, investir “todas as energias” num processo em que só leva para a mesa das negociações precisamente estas duas propostas: amnistia e autodeterminação.

O presidente do partido, Oriol Junqueras, acrescenta como argumento o “reconhecimento da comunidade internacional”. Esta apenas estaria disposta a “acompanhar a luta contra a repressão e a negociação política. Como o reconhecimento da comunidade internacional é fundamental para conquistarmos a independência, nunca podemos abrir mão da bandeira da negociação ”.

A CUP é crítica deste caminho. Apresenta como lema “nem pactos, nem renúncias. A luta é o único caminho”. E apela ao governo catalão a “não abandonar o confronto com o Estado em troca de estabilidade.”

Anna Saliente, do secretariado nacional da organização, diz que “Pere Aragonès, Ximo Puig [o presidente socialista da Comunidade Valenciana] e Francina Armengol [também socialista e presidente do governo das Ilhas Baleares] estão a competir para serem os melhores alunos de Pedro Sánchez”. Mas, para ela, a questão política central “não se trata de novos financiamentos, mas de exercer a autodeterminação”.

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