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Catalães manifestam-se em Estrasburgo contra impedimento à posse dos eurodeputados

Milhares de pessoas reclamam em frente ao Parlamento Europeu contra o impedimento da tomada de posse de Carles Puigdemont, Toni Comin e Oriol Junqueras. “Aqui estamos, pela democracia. Não vos vamos deixar sozinhos”, disse Marisa Matias aos manifestantes.
Catalães manifestam-se em Estrasburgo
Catalães manifestam-se em Estrasburgo. Foto ERC/Twitter

O dia da tomada de posse dos eurodeputados está a ser marcado pelos protestos devido à ausência de três representantes eleitos nas últimas eleições europeias. Trata-se do ex-líder do governo catalão, Carles Puidemont, exilado na Bélgica, do seu companheiro de lista dos Junts per Catalunya, Toni Comin, e de Oriol Junqueras, o líder da Esquerda Republicana Catalã preso em Espanha na sequência do referendo de 1 de Outubro de 2017.

Apesar de terem sido candidatos e eleitos, as autoridades espanholas não deixaram Oriol Junqueras sair da prisão para recolher a ata de posse em Madrid, enquanto Puigdemont e Comin estão impossibilitados de a recolher por arriscarem a imediata prisão e possível condenação até 30 anos de prisão pelo crime de rebelião a que estão a ser acusados vários ex-governantes catalãres no julgamento do “procés”.

Em vez de colocar as regras da democracia à frente das razões do estado espanhol, o presidente do Parlamento Europeu — o italiano António Tajani, do PPE — cedeu à pressão dos principais partidos espanhóis e impediu a entrada de Puigdemont e Comín nas instalações do Parlamento Europeu ainda em junho, quando estes tentavam obter a credenciação a que têm direito, a par dos restantes eurodeputados.

Esta terça-feira, no início dos trabalhos, o eurodeputado do Sinn Fein Matt Carty interrompeu o discurso de início de legislatura de Tajani para chamar a atenção para o facto de haver três eurodeputados impedidos de assumir o cargo para o qual foram eleitos nas eleições de maio.

A manifestação em Estrasburgo contou com milhares de pessoas, muitas vindas da Catalunha para exigir que os seus representantes tenham o lugar que conquistaram nas urnas. A conselho dos advogados, Carles Puigdemont não viajou para França por receio de prisão por parte de agentes espanhóis.

Marisa Matias: "Estamos aqui e não nos calaremos!”

Quem esteve presente no protesto foi a eurodeputada bloquista Marisa Matias, que foi convidada a dirigir-se aos manifestantes. Marisa lembrou que “para os portugueses, a Catalunha tem um significado muito importante”, pelo papel que teve na independência do nosso país em 1640. “Vocês pagaram um preço para que os portugueses pudessem ser livres e independentes”, lembrou Marisa, sublinhando uma ironia histórica: “o opressor em 1640 era um Filipe. E hoje também temos um Filipe” no trono espanhol.

“Hoje é o dia em que devíamos celebrar a democracia. É o dia em que os eurodeputados deviam estar todos ali dentro. Mas faltam três, que tiveram a confiança de mais de dois milhões de votos”, prosseguiu Marisa, lamentando que haja lugar no Parlamento Europeu para “deputados que cometeram crimes, mas os que lutam pela democracia não o puderam fazer”. “Aqui estamos pela democracia. Não vos vamos deixar sozinhos. Estamos aqui e não nos calaremos!”, concluiu Marisa, numa das intervenções mais aplaudidas do protesto, que contou com a presença de duas dezenas de eurodeputados de vários países.

 

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