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“Casos como os dos lesados do BES podem repetir-se”

Questionada sobre a vontade de Passos Coelho em liderar um abaixo assinado em defesa dos lesados do BES, Catarina Martins diz que a responsabilidade do primeiro-ministro é a de “resolver o problema”. A campanha bloquista esteve em Pinhal de Negreiros para defender famílias ameaçadas de despejo.
Foto Paulete Matos.

“O primeiro-ministro, pessoalmente, fará o quem bem entender. Cada um de nós, pessoalmente, apoia as causas que entende. Enquanto primeiro-ministro, tem é de resolver o problema”, afirmou Catarina Martins poucas horas após Passos Coelho ter sido confrontado em Braga com a contestação dos lesados do papel comercial do BES.

Neste protesto que marcou o dia de campanha da coligação de direita, Passos Coelho chegou a prometer a um dos lesados do BES que será o primeiro a assinar um abaixo-assinado em defesa da devolução do capital investido em produtos do Banco Espírito Santo aos clientes enganados pelo banco.

Para Catarina Martins, as palavras de Passos Coelho contrastam com a atitude do PSD e do CDS quando se votou na Assembleia uma proposta do Bloco ”para que não mais houvesse casos como o dos lesados do BES”. Há poucos meses, “o PSD e o CDS chumbaram essas possibilidades e portanto podemos estar hoje a assistir ao início de novos casos. Isso sim, é muito preocupante”, concluiu a porta-voz do Bloco, que exigiu no frente-a-frente da véspera com Passos Coelho um pedido de desculpas aos contribuintes que irão pagar o prejuízo da resolução do BES.

Bloco defende “direito à habitação” junto de famílias ameaçadas de despejo

Na tarde de sábado, a campanha bloquista reuniu com famílias de Vendas de Azeitão e Pinhal de Negreiros em risco de perderem as casas por causa da insolvência de uma cooperativa de habitação. A candidata do Bloco por Setúbal, Joana Mortágua, ouviu ao lado de Catarina Martins a história destas famílias que arriscam ficar sem a casa que já pagaram.

"Este caso, infelizmente, é bastante emblemático do que se passa no País. E digo infelizmente, porque mostra um Governo que é tão forte com quem tem menos e está mais desprotegido e consegue ir sempre cobrar a dívida a quem não a fez", afirmou Catarina Martins.

"Este problema é sobretudo um problema político. Estamos a falar de pessoas que pagaram a sua casa integralmente ao longo de 20 anos. Houve uma cooperativa que entrou em falência e o credor é o IHRU. As pessoas que aqui estão não têm nada a ver com esse processo de falência", prosseguiu a porta-voz do Bloco, defendendo que “o direito à habitação” deve ser reafirmado em Portugal.

"Em Portugal é possível penhorarem-se casas de uma forma demasiado fácil. Não pode ser. A habitação própria, permanente, de uma família tem de ser protegida. Quando as pessoas perdem tudo, não podem perder [também] o seu teto. Mas, num caso em que, ainda por cima, as casas já estão pagas, e quantas vezes pagas, isto é um assalto completo. E tem de ser travado", concluiu Catarina Martins.

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