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Caso Marega: Bloco pergunta o que o governo vai fazer quanto ao racismo no desporto

O Bloco questionou o governo sobre os cânticos racistas de que foi vítima Moussa Marega. O partido solidarizou-se com o jogador e quer saber o que o executivo fará para para combater o Racismo. O deputado Luís Monteiro diz que “todos têm a responsabilidade e obrigação de apurar as responsabilidades e punir os racistas”.
Marega festeja um golo no jogo contra o Vitória de Guimarães no qual foi vítima de cânticos racistas.
Marega festeja um golo no jogo contra o Vitória de Guimarães no qual foi vítima de cânticos racistas. Foto de LUSA/EPA/MANUEL FERNANDO ARAUJO.

O Grupo Parlamentar do Bloco, realçou esta segunda-feira, numa pergunta dirigida ao governo, a sua “total solidariedade para com Moussa Marega e para com todos que não desistem de fazer da prática desportiva uma casa da igualdade”.

O partido decidiu interpelar o governo sobre a situação ocorrida no passado domingo, no Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães. Aí, no decorrer da partida entre o Vitória de Guimarães e o Futebol Clube do Porto, o jogador da equipa visitante foi alvo de cânticos racistas. Marega acabou por decidir pedir para ser substituído, tendo abandonando o campo em protesto.

O Bloco que lembra que na passada legislatura foi aprovada uma proposta de lei na Assembleia da República que pretendia dar “mais robustez” e multiplicar “instrumentos de combate à violência no Desporto, nomeadamente ao Racismo nos recintos desportivos”. A manutenção de episódios de violência racista é, assim, ocasião para “reavaliar a aplicação desses preceitos legais e a eventual insuficiência dos mesmos”.

Para além da insuficiência da lei, os deputados Luís Monteiro e Beatriz Dias, questionam a insuficiência das campanhas empreendidas pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Liga de Clubes. Apesar destas terem desenvolvido iniciativas e campanhas “em defesa do Fair Play desportivo e contra o Racismo no Futebol”, que o partido saúda, considera-se ser preciso fazer mais.

O ponto de partida será “que todas as instâncias com responsabilidades desportivas e políticas condenem os atos e utilizem todos os instrumentos legais de que dispõem para apurar responsabilidades e aplicar as devidas sanções”. O Bloco pensa que “estes atos racistas devem ser punidos de forma exemplar, de modo a reforçar a importância da prática da modalidade enquanto motor de inclusão social e não como produtor de violência racista”.

Para além disso, o partido quer ainda saber que medidas a Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude irá tomar neste caso, como pretende o governo “intensificar os instrumentos de intervenção no universo do desporto no sentido de combater o Racismo”.

Os deputados bloquistas aproveitam ainda para questionar se o governo tem conhecimento de outros casos idênticos de racismo no Desporto que não tenham sido noticiados e que ações foram desencadeadas nestes casos.

O caso espelha um racismo estrutural

Em declarações ao Esquerda.net, Luís Monteiro acrescentou que este episódio “espelho de um racismo estrutural que encontra no futebol como noutros espaços, uma montra para se fazer ouvir”. O deputado assegura que o Bloco “utilizará todos os instrumentos disponíveis para garantir que o caso não cai no esquecimento”. E pensa que “Liga de Clubes, Federação Portuguesa de Futebol, Governo, todos têm a responsabilidade e obrigação de apurar as responsabilidades e punir os racistas. O ódio não é opinião, é crime.”

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