O Banco Público de Gâmetas tem mil casais em espera e está agora a dar resposta a pedidos feitos em meados de 2018. No caso de gâmetas femininos feitos em setembro de 2018 e no dos masculinos em novembro de 2018.
O Jornal de Notícias dá conta destes números e do agravamento de perto de seis meses face ao que se passava no ano passado. A pandemia fez parar os centros públicos de Procriação Medicamente Assistida que durante o primeiro estado de emergência só realizaram atos urgentes. E a retoma “tem sido lenta e gradual”.
Mas os problemas não começaram com a pandemia e são estruturais. O Governo tinha nomeado, há cerca de um ano, um grupo de trabalho para apresentar propostas de melhoria no acesso à PMA. Este apresentou um relatório do seu trabalho no passado mês de maio, mas o Governo nunca deu resposta ao relatório nem tem dado feedback do trabalho feito à Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução e ao Conselho Nacional de PMA. O Ministério da Saúde também não respondeu àquele jornal.
Pedro Xavier, presidente da SPMR, realça uma das consequências destes atrasos: há mulheres que depois dos pedidos são recusadas porque ficaram em tempo de espera durante um período tão alargado que passaram o limite legal para a PMA. Para ele, "a dinâmica do Banco não tem outra explicação que não a falta de investimento".
Carla Rodrigues, presidente do CNPMA, também critica que o relatório tenha ficado “na gaveta, algures, até hoje”, acrescentando por sua vez que "não havendo incentivo à produção e um reforço dos meios" se torna impossível "recuperar uma lista de espera que já era um problema crónico".
De acordo com os dados do BPG, no final de março havia 669 beneficiários em espera para doações de espermatozoides e 335 beneficiários para doações de ovócitos.