Na entrevista que deu à agência Lusa, Manuel Carvalho da Silva prevê também que a manifestação convocada pela CGTP para o próximo sábado será muito grande.
Sobre o PEC 4, anunciado na passada sexta feira pelo Governo, Carvalho da Silva diz que estas medidas "são de uma injustiça profunda porque reduzem o poder de compra a todos os trabalhadores mas colocam numa situação limite os que têm menos rendimentos"e que vão "apenas tornar a vida dos portugueses mais difícil, em particular para as novas gerações".
Carvalho da Silva refere à Lusa que participou na manifestação da “geração à rasca” com a sua família, salienta que defende a necessidade da mobilização geral da sociedade portuguesa por “políticas totalmente novas”, propõe que Portugal utilize as potencialidades dos seus trabalhadores para produzir bens e serviços úteis ao desenvolvimento do país e considera necessário combater a economia clandestina: "Precisamos de combater a economia clandestina, que representa uma fuga ao fisco de 10 mil milhões de euros por ano, e que sejam tomadas algumas medidas sérias no sentido de responsabilizar o sector financeiro, que tem que apoiar mais a economia", disse.
A propósito do PEC 4, o secretário-geral da CGTP critica as políticas da União Europeia (UE), diz que “a UE não tem políticas solidárias” para defender os mais desprotegidos pois segue "uma orientação neoliberal profunda", destaca que “a nova governação económica europeia” se resume a uma receita de redução salarial, mais liberalização do trabalho e ataques à protecção social e considera que o Governo apresentou o PEC 4 porque "tentou fazer de aluno bem comportado e antecipar-se ao que a União Europeia (UE) estava para aprovar".
Carvalho da Silva critica as políticas do Governo do PS, sublinha que o PSD "tenta cavalgar no descontentamento da população mas assume as medidas de austeridade do Governo sem apresentar alternativas" e afirma que "no plano nacional temos políticas económicas que apenas se submetem aos ditames da União Europeia e da agiotagem internacional e não criam alternativas nem responsabilizam os responsáveis pela crise"
O secretário-geral da CGTP refere que "temos um défice significativo das contas públicas que resultou dos milhares de euros que saíram do Orçamento do Estado para tapar buracos do sector financeiro que resultaram de autênticos roubos", diz que "não existem soluções sólidas para o país enquanto não houverem políticas alternativas totalmente novas", considerando que "isso só será conseguido com a mobilização de toda a sociedade para aumentar os protestos".
"Temos que ter consciência que se não nos mobilizarmos podemos ter uma regressão de muitos anos e deixar criar muitas injustiças na sociedade, pondo até em causa a própria democracia", realça Carvalho da Silva, que no próximo sábado espera “uma manifestação muito grande em Lisboa, do sector público e do privado, porque as pessoas sentem cada vez mais as injustiças e há que manifestar o seu descontentamento".
O secretário-geral da CGTP salienta que, face à “governação desastrosa”, “a luta vai ser muito longa”, não se esgotando na manifestação de sábado.
"O país não vai sair da situação em que está com uma varinha de condão. Só vai sair quando o povo se mobilizar e os governantes interpretarem as suas opiniões e reivindicações", afirma acrescentando que "a democracia é interpretar as justas reivindicações do povo e não apenas recolher os seus votos" e sublinhando que “imperiosamente e positivamente vai ser um ano de mobilização de toda a sociedade".