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Capacidade de formação de cirurgiões no hospital de Coimbra está diminuída

A ausência do número mínimo de cirurgiões para desempenhar funções no Hospital dos Covões está a pôr em causa a capacidade assistencial e a capacidade formativa no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
Capacidade de formação de cirurgiões no hospital de Coimbra está diminuída

O Colégio de Cirurgia Geral da Ordem dos Médicos confirmou “a diminuição da capacidade de resposta cirúrgica no Hospital Geral” – mais conhecido por Hospital dos Covões e que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) – “tanto pela área da urgência, como do internamento e bloco operatório”.

A secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos enviou um comunicado à agência Lusa onde refere que esta posição é assumida pelo Colégio de Cirurgia Geral “no seguimento das preocupações e alertas” da Secção Regional do Centro.

“Além do impacto na capacidade assistencial, esta avaliação prejudica diretamente a formação de médicos especialistas em cirurgia geral no CHUC, caso as insuficiências não sejam supridas”, pode ler-se no comunicado da estrutura regional.

Em agosto voltaram “a ocorrer dificuldades nas urgências no polo hospitalar dos Covões, uma vez que não há o número mínimo de cirurgiões necessários para desempenhar” tais funções.

“Esta auditoria do Colégio de Cirurgia Geral vem confirmar as nossas preocupações. É dramático e é inaceitável este défice de recursos em situações que implicam a prestação de assistência aos doentes face aos perigos iminente para a saúde”, afirma Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro.

O dirigente da Ordem dos Médicos critica “uma gestão inqualificável” neste domínio, uma vez que “não existe um adequado atendimento integrado entre os vários serviços de urgências, ao contrário do que é sistematicamente difundido pelos responsáveis” do hospital.

“É com enorme apreensão que recebemos a avaliação do colégio da especialidade. Se a capacidade de formação de cirurgiões no CHUC for reduzida, estaremos a enfrentar uma das maiores dificuldades neste hospital, resultando em consequências nefastas para os utentes”, alertou à Lusa, lamentando também “a escassez de cirurgiões” nas equipas das urgências dos Covões.

Na sua opinião, perante “constrangimentos inaceitáveis”, importa, no âmbito do concurso que está a decorrer e que contempla duas vagas para o Centro Hospitalar e Universitário, “colocar dois cirurgiões neste polo dos Covões e reabrir camas de modo a suprir as necessidades mais prementes para manter a atividade operatória normal e necessária”.

A “gravidade da situação”, já anteriormente reportada à OM, resulta da “falta de capacidade de resposta cirúrgica e de cumprimento dos requisitos mínimos nalguns turnos” nas urgências dos Covões, “por redução recente do número de especialistas e também por redução de salas de operações disponíveis e de camas em enfermarias”, segundo pode ler-se na nota.

“Se a administração do CHUC não pugnar pelos requisitos mínimos definidos pelo respetivo colégio da especialidade, a Ordem dos Médicos terá de redefinir a capacidade formativa a jovens cirurgiões, advindo daí consequências nefastas na assistência aos utentes e no funcionamento do próprio hospital”, avisa Carlos Cortes.

O Colégio de Cirurgia Geral alertou ainda para a “possibilidade da redução da capacidade formativa, caso não sejam colmatadas as graves debilidades” do Hospital Geral.

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