As notícias de problemas no Hospital das Caldas da Rainha não são de hoje. Nem as dos protestos dos seus trabalhadores. Por exemplo, em novembro passado, simbolicamente, os enfermeiros das urgências desta unidade de saúde tinham recusado a passagem de turno, descrevendo a situação como “calamitosa” e explicando que faltavam profissionais, havia pessoas internadas em macas e cadeirões nos corredores.
Nos últimos dias, a palavra caos voltou a ser utilizada nos meios de comunicação social para descrever o que se passa nas urgências deste hospital. Esta quinta-feira, os bombeiros das Caldas da Rainha e de Óbidos ficaram sem ambulâncias disponíveis porque as macas estavam retidas nas urgências hospitalares. Todas as macas das seis ambulâncias de socorro dos bombeiros das Caldas da Rainha se encontravam nesta situação segundo Nelson Cruz, o comandante da corporação local. Marco Martins, comandante do bombeiros de Óbidos, disse à Lusa que o mesmo se passava do seu lado. Também os bombeiros de Peniche tinham então uma ambulância indisponível pelas mesmas razões.
É própria presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste, Elsa Baião, que diz que “as urgências têm estado caóticas e tem havido uma afluência excessiva”. A responsável dizia à agência noticiosa nacional que “não há nada a fazer enquanto se mantiver este modelo de urgência e enquanto se mantiverem de portas abertas a todos os doentes”.
Nessa mesma noite, conheceu-se a demissão de 23 médicos de medicina interna do mesmo hospital. No seu manifesto, divulgado no Observador, estava descrito um quadro de desgaste levado ao extremo: “encontramo-nos no limite das nossas capacidades físicas e mentais, exaustos, desanimados, desgastados, desmotivados, mas sobretudo em sofrimento ético e em risco profissional. E na nossa profissão o erro mata!” Esta seria uma “situação limite do ponto de vista de sobrecarga de trabalho e de qualidade assistencial” que “tem sido uma constante nos últimos tempos. Mas neste momento, é absolutamente dramática, desesperante e totalmente inaceitável”. Trata-se de uma “rutura completa” para a qual ficam sem “condições mínimas” para assistirem de forma segura os pacientes.
Esta sexta-feira, em comunicado, a administração do Centro Hospitalar do Oeste informava ter recebido a carta de demissão dos chefes de equipa do serviço de urgência do Hospital de Caldas da Rainha. Uma demissão que, asseguram, diz respeito “apenas ao cargo de gestão de chefia de urgência e não ao exercício das funções clínicas” e, por isso, a equipa “continua a assegurar o normal funcionamento” do serviço.