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Canadá: descobertas mais sepulturas de crianças indígenas de um internato

751 sepulturas não identificadas foram encontradas nos arredores de uma escola em que crianças indígenas eram forçadas a entrar para serem “assimiladas”. A Comissão de Verdade e Reconciliação chama-lhe “genocídio cultural”.
Internato de Marieval para crianças indígenas. Foto de Societe historique de Saint-Boniface.
Internato de Marieval para crianças indígenas. Foto de Societe historique de Saint-Boniface.

Depois da notícia do início do mês sobre a descoberta dos restos mortais de 215 crianças indígenas que tinham sido forçadas a ingressar num internato para serem “assimiladas”, o Canadá volta a ser confrontado com o seu passado de genocídio cultural.

Desta vez, nas imediações do internato de Marieval, na província de Saskatchewan, gerido pela Igreja Católica, foi utilizado um geo-radar para chegar à “descoberta horrível e chocante de centenas de sepulturas não identificadas" como anunciou o povo Cowessess em comunicado. Estas são “o maior número até à data” superando as encontradas no internato de Kamloops na Colúmbia Britânica. Até ao momento foram descobertas 751 sepulturas não identificadas nos arredores da escola.

Esta “escola” funcionou entre 1899 e 1996 e fez parte de um grupo de 139 instituições promovidas pelo Estado canadiano, muitas delas geridas por organizações religiosas, com o objetivo de “assimilar” crianças indígenas, ou seja de destruir a sua cultura integrando-as à força. A última delas só fechou em 1996. As crianças eram retiradas à força das famílias e sujeitas a maus tratos. Muitas morreram. A Comissão de Verdade e Reconciliação, estabelecida pelo governo canadiano em 2008, considerou num relatório de 2015 que se tratou de um genocídio cultural. Antes das novas descobertas estava já documentada a morte de mais de seis mil estudantes. Mas segundo o antigo presidente desta comissão, Murray Sinclair, o número pode ser maior do que 25 mil.

Os números e as práticas eram conhecidas há muito, mas só a descoberta do horror das sepulturas de crianças em Kamloops ganhou projeção mediática e comoveu o país. No início do mês o povo Cowessess começou a tentar localizar sepulturas escondidas e não identificadas. O Chefe Cadmus Delorme, numa intervenção em conferência de imprensa esta quinta-feira, citada pelo canal televisivo CBC, esclareceu que não se trata de uma sepultura coletiva mas de sepulturas individuais e que ainda não é claro se todas estas sepulturas pertencem às crianças do internato.

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