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Câmara de Lisboa aprova financiamento para sala de consumo vigiado

A vereação lisboeta aprovou apenas com os votos contra do CDS o financiamento para a implementação de um Serviço de Apoio Integrado na área das Dependências, que inclui uma sala de consumo vigiado no Vale de Alcântara.
Sala de consumo vigiado
Sala de consumo vigiado em Vancouver, Canadá. Imagem ihavehopevideos/Youtube

Com a decisão tomada esta quinta-feira, Lisboa vai juntar-se aos mais de 120 programas de consumo vigiado em funcionamento em cidades europeias, norte-americanas e canadianas. A medida segue-se à criação de uma unidade móvel que permite o consumo vigiado de substâncias ilícitas desde abril nas freguesias de Arroios e Beato, com boa aceitação por parte dos moradores e grande adesão dos utilizadores de drogas.

“Continuam a ser necessários passos intermédios entre os consumos na rua e as respostas mais estruturadas. São abordagens eficazes, que permitem o contacto e o vínculo com pessoas muito fragilizadas em termos sociais e de saúde. Ao criarmos acesso à rede de serviços estamos a melhorar a sua situação e a de toda a cidade, em termos de saúde pública, direitos humanos, coesão social e vida das comunidades”, afirmou o vereador bloquista Manuel Grilo, congratulando-se pela aprovação desta proposta que foi uma das bandeiras de campanha do Bloco de Esquerda na área da redução de riscos.

Segundo a nota emitida pelo gabinete do vereador do Bloco, No Programa de Consumo Vigiado, o consumo de substâncias ilícitas será realizado sob supervisão de profissionais treinados para atuar em caso de situações de sobredosagem e a substância será trazida pelo próprio utente do Programa. A implementação do projeto que viu agora assegurado o seu financiamento cabe a uma Comissão de Acompanhamento formada pela Câmara Municipal de Lisboa, SICAD e ARSLVT, com a participação do Observatório Europeu de Drogas como observador e o envolvimento das Juntas de Freguesia e da PSP.

Para além da sala de consumo vigiado a instalar num equipamento de saúde já existente próximo da Avenida de Ceuta e que deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2020, o Serviço de Apoio Integrado na área das Dependências terá respostas na área social e na área da saúde para pessoas que usam drogas. O seu público-alvo são consumidores em situação muito vulnerável, como a população sem abrigo, com situação de saúde muito fragilizada e inexistente ligação aos cuidados de saúde. O serviço vai oferecer apoio médico e psicossocial, referenciação para tratamento ou outros serviços, para além de informação e higiene.

A gestão do espaço foi atribuída à  Ares do Pinhal, entidade que trabalha em Lisboa na área das dependências desde 1998, criando a primeira resposta da sociedade civil na área das adições em Portugal.

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