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Call-centers Armatis: trabalhadores regressam à greve 

Os trabalhadores dos call-centers da Armatis vão estar em greve no dia 12 de dezembro e em greve parcial às segundas-feiras de 19 de dezembro até final de fevereiro de 2023. Lutam por melhores salários, atualização do subsídio de refeição e cumprimento de compromissos assumidos pela empresa.
Trabalhadores dos call-centers da Armatis em greve. Fotografia: Wiki Commons/Vitor Castillo

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAVV) anunciou uma greve dos trabalhadores dos call-centers da Armatis. Esta greve decorre no dia 12 de dezembro e será parcial, às segundas-feiras, de 19 de dezembro até ao final de fevereiro do próximo ano. 

Esta paralisação sucede à de 14 de fevereiro, uma vez que “tudo continua igual”, refere o sindicato em comunicado. Lutam por melhores salários, atualização do subsídio de refeição e o cumprimento de compromissos já assumidos pela empresa. 

“Chegados a 28 de fevereiro de 2023 e não havendo resultados positivos, os trabalhadores vão novamente reunir e tomarão decisões” afirma o SINTAVV. 

“Nenhum trabalhador adere a uma greve ao acaso, só o faz quando se identifica com problemas concretos, quando se trata de defender os seus legítimos direitos, quando se sente injustamente desvalorizado, e foi nesta linha de princípios e análise de questões concretas, que os trabalhadores tomaram a decisão de uma nova greve nos termos apresentados, e disponíveis a imediatamente suspender se as suas reivindicações vierem a ser ponderadas e atendidas pela empresa” refere a estrutura sindical.

Com sede em França, a Armatis é uma empresa de atendimento ao cliente de setores como o retalho, comércio eletrónico, turismo, transportes, energia, telecomunicações, banca, seguros, saúde, retalho, administração pública. Tem call-centers em França onde trabalham 5000 pessoas, na Polónia com 1800 trabalhadores e Tunísia com mil trabalhadores. Em Portugal, a Armatis tem cerca de 1700 trabalhadores, que operam em oito línguas, a partir dos call-centers de Lisboa, Porto e Guimarães.

A luta dos trabalhadores da Armatis

Desde o segundo semestre de 2021 que os trabalhadores da Armatis estão em luta. O SINTTAV dirigiu as suas reivindicações por escrito à empresa, solicitando uma reunião com o “objectivo encontrar um entendimento que melhor se identificasse com as aspirações dos trabalhadores”.

A reunião decorreu online, em novembro de 2021, “na qual os representantes da empresa não deram respostas concretas a quase todas as questões que lhes foram colocadas” designadamente aumento dos salários e do subsídio de refeição. 

Face à persistência dos trabalhadores, a Armatis apresentou “habilidoso truque” com a ideia de que “a questão do aumento salarial iria ficar resolvida com uma transferência do valor total do subsídio de línguas e parcial do prémio de absentismo para a remuneração base fixa”. Segundo o SINTTAV, isto trata-se de “um fingido aumento salarial porque feitas as contas, no final de cada mês o rendimento global continua a ser o mesmo”.

“Entretanto, outra realidade no momento é que os valores do subsídio de línguas e prémio de absentismo que entraram no salário fixo, em parte já foram absorvidos, devido à galopada da inflação que em outubro atingiu os 10,1% a influir o agravamento do custo de vida, para além da aproximação do salário mínimo nacional com o aumento a partir de janeiro do próximo ano” conclui o SINTTAV, lembrando que “a questão salarial e subsídio de refeição continua por resolver” pelo que “os trabalhadores perderam a paciência em se manterem tanto tempo na expectativa que a empresa viesse a reconhecer a justiça de uma revisão salarial efetiva que, afinal, não se vislumbra”. 

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