No 17° dia de greve, na passada quinta-feira, a Direção Geral da CGD França decidiu proibir o acesso das instalações da sua sede em Paris aos trabalhadores grevistas, segundo o comunicado emitido no mesmo dia pela Intersindical FO-CFTC dos sindicatos maioritários da Sucursal, representando os trabalhadores em greve.
Para a Intersindical, a Direcção Geral da Sucursal, ao colocar seguranças e oficiais de justiça à entrada e nos recintos da instituição, para proibir o acesso aos trabalhadores em greve, “deu um novo passo no sentido da intimidação dos trabalhadores grevistas “numa nítida tentativa de criminalização dos mesmos.
Medida ilegal do ponto de vista da legislação francesa que dispõe o direito de todos os assalariados de livre acesso às instalações da comissão de trabalhadores, esta medida constitui, segundo a Intersindical, uma atitude provocatória da Direcção Geral, que continua sem abrir reuniões de negociação.
- Veja vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nHg3wlEaUQw
Apesar do comunicado interno ao conjunto dos trabalhadores negando a proibição do acesso aos grevistas, a Direcção Geral da Sucursal continuou a proibir aquele acesso na sexta-feira e no sábado passados. Na sexta-feira foi negado, nomeadamente, o acesso a uma trabalhadora grávida, segundo declarações prestadas ao esquerda.net pelos responsáveis da Intersindical que deveriam apresentar queixa no posto de polícia do bairro e junto da Procuradoria Geral da República francesa contra a interdição de acesso dos grevistas às instalações.
Segundo declarações prestadas à Lusa, pela porta-voz dos trabalhadores da CGD em greve, essas atitudes de intimidação da Direção Geral - conhecidas da Administração em Lisboa, porquanto presenciadas pelo Diretor dos Recursos Humanos da Sede presente na Sucursal na passada quinta-feira para mais um simulacro de reunião - até aumentaram a determinação dos trabalhadores.
Rejeitados atrás das grades dando acesso à instituição, onde ao longo dos três metros, a Direção Geral da Sucursal colocou cinco seguranças, os trabalhadores continuam a realizar as suas assembleias gerais e a votar a recondução da greve. Na passada sexta-feira – onde várias vezes se ouviram os grevistas gritar “demissão” - a greve foi reconduzida até quarta-feira dia 9 de Maio.
Entretanto, o movimento social começou a ser difundido na imprensa francesa e, particularmente, na imprensa económica e financeira francesa. Através da Intersindical têm chegado inúmeras mensagens de apoio e solidariedade aos trabalhadores em greve por parte das secções sindicais e das comissões de trabalhadores dos bancos franceses. Na passada sexta-feira responsáveis da federação sindical de FO, entre os quais o secretário geral da Federação da Banca desta central sindical, marcaram presença na Assembleia Geral de Trabalhadores.
Nesta quarta-feira, dia 9 de Maio, será a vez da deputada bloquista Mariana Mortágua, ir apoiar e ouvir os trabalhadores e as trabalhadoras em greve da CGD França, naquele que será o 23° dia do seu movimento social, contra a privatização da Sucursal e a garantia do serviço público da banca aos nossos compatriotas em França, por uma gestão transparente, condições de trabalho dignas e salários equitativos.