Segundo os últimos resultados oficiais provisórios, divulgados pela Direcção geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) de Cabo Verde, estão contadas 99,1 por cento das assembleias de voto e Jorge Carlos Fonseca, apoiado pela oposição (nomeadamente pelo Movimento para a Democracia - MpD), lidera o escrutínio com 55,13 por cento, correspondendo a 96.913 votos. Estas eleições marcam o fim do ciclo “uma maioria, um parlamento, um presidente”.
Por seu lado Manuel Inocêncio Sousa, candidato apoiado pelo partido no poder, reúne 45,87 por cento, correspondendo a 82.116 votos. O candidato já reconheceu a derrota, num discurso a partir do Mindelo, em São Vicente, onde se encontra retido devido ao mau tempo.
Com a abstenção a situar-se nos 40,3 por cento, inferior em mais de seis pontos em relação à primeira volta (46,8 por cento), a contagem nacional está praticamente encerrada e Fonseca ganhou as eleições em todo o arquipélago, à excepção da ilha do Fogo.
Em quatro mesas de voto de Santo Antão, as eleições só serão realizadas na segunda-feira, devido ao mau tempo, mas as escolhas dos 652 eleitores registados não conseguirão influenciar os resultados.
Na capital, celebra-se nas ruas o resultado de Jorge Carlos Fonseca, que, no seu discurso de vitória, prometeu ser leal e frontal com o Governo.
O fim do ciclo “uma maioria, um parlamento, um presidente”
Pela primeira vez em 20 anos de pluralismo político e em 36 anos de história, Cabo Verde terá um presidente de cor política diferente do da maioria Parlamentar e do Governo.
O “responsável” é Jorge Carlos Fonseca que, à segunda tentativa (a primeira foi em 2001), conseguiu este domingo ser eleito chefe de Estado num país que deu em Fevereiro último a terceira maioria absoluta consecutiva ao partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), membro da Internacional Socialista.
A vitória de Fonseca tem muitas leituras: quebrou o ciclo do “um Presidente, uma maioria, um governo”, deixou marcas no PAICV e fez ressuscitar um partido que parecia moribundo e que tudo apostou, e ganhou, na segunda volta das presidenciais, o Movimento para a Democracia (MpD), que se caracteriza por uma orientação mais neoliberal.
Com as “mãos limpas”, segundo a imprensa, tendo estado fora da política partidária activa, Fonseca, todavia, deixou um ligeiro aviso ao MpD: durante a campanha da segunda volta, afirmou que é o candidato da cidadania e que não está refém de ninguém, sejam eles personalidades políticas, grupos económicos, lóbis políticos ou partidos políticos.
Cabo Verde elegeu Fonseca como novo presidente
22 de agosto 2011 - 12:12
A segunda volta das presidenciais em Cabo Verde ficou decidida na noite deste domingo, contadas já 99,1 por cento das mesas de voto, com Jorge Carlos Fonseca a garantir a vitória, registando quase mais de 15 mil votos sobre o seu adversário, Manuel Inocêncio Sousa.
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Jorge Carlos Fonseca, com a bandeira de Cabo Verde, celebra a vitória nas eleições presidenciais na varanda da sede de campanha na Cidade da Praia, Cabo Verde, 22 de Agosto 2011. Foto José Maria Borges/LUSA.