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Caça: Governo permite abate de espécies em vias de extinção

A falta de ordenamento, o abate a espécies em vias de extinção e "erros" no calendário venatório são algumas das críticas ao sector da caça feitos por associações ambientalistas.
A espécie rola brava foi colocada na lista de perigo de extinção há cerca de um ano, informou João Branco, da Quercus.

Tendo sido anunciada a data de abertura do período de caça às espécies aquáticas e migratórias, dia 22 de Agosto, a Lusa falou com alguns ambientalistas.

O ambientalista João Branco da Quercus, explicou que é "um contra-senso" que no Ano Internacional da Biodiversidade, o governo permita que se inclua a rola brava, "uma espécie em vias de extinção", na lista de animais a abater durante o período venatório.

Os exemplares desta espécie, que foi colocada na lista de perigo de extinção há cerca de um ano, têm vindo a diminuir "cerca de 30 por cento nos últimos dez anos", pelo que "devia ser retirada da lista de espécies cuja caça é permitida", defendeu.

Pela Liga de Protecção da Natureza, Ana Maria Costa disse que o calendário venatório "tem erros" e é um "mau exercício de gestão de espécies", quer na quantidade de abates permitidos quer nos períodos em que as espécies podem ser caçadas.

Estas conclusões da Liga foram comunicadas à Secretaria de Estado das Florestas, que pediu pareceres aos ambientalistas para a elaboração do calendário.

João Branco acrescentou que um dos pontos negativos dos regulamentos é o facto de se poder caçar em áreas protegidas, como os parques nacionais e naturais. "Tanto se pode caçar no Gerês como em Montesinho como no Alvão. Em termos cinegéticos, as áreas protegidas são iguais às outras. Acabam por não proteger absolutamente nada", lamentou.

"Isto é anacrónico. Numa área protegida, as pessoas esperam ao menos ver um coelho ou dois. No Alvão, não se vê um único, é tudo extinto em época de caça”, disse ainda o ambientalista.

Quanto às vantagens da caça referidas por associações do sector no domínio ambiental, como a limpeza de matas e caminhos e a prevenção de fogos florestais, João Branco reconhece que "em teoria" verificam-se, mas que "na prática não acontece nada".

Tirando "zonas de caça turística" e algumas reservas associativas ou municipais, João Branco referiu que a maioria dos terrenos reservados para caça está "ao abandono", mas "o pior” são as reservas municipais, “que não são mais que um simulacro de ordenamento da caça, uma maneira administrativa de se dizer que o território está ordenado", frisou.

"Não têm qualquer fiscalização, os caçadores abatem indiscriminadamente. Mesmo nas reservas de caça associativa, os guardas são empregados dos caçadores associados, só impedem que outros de fora lá vão caçar", acrescentou.
 

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