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Câmara de Loures deixa 63 famílias na rua

Esta sexta-feira, meia centena de habitantes do Bairro da Torre concentrou-se em frente à Câmara Municipal para pedir a interrupção do processo de demolição do bairro e uma solução habitacional para as 63 famílias que não estão inscritas no PER.
Esta sexta-feira, numa iniciativa promovida pelas organizações Solidariedade Imigrante e Viver no Mundo, meia centena de habitantes do Bairro da Torre, em Loures, concentrou-se em frente à Câmara Municipal para pedir a interrupção do processo de demolição do bairro. Foto Precários Inflexíveis.

O Bairro da Torre, em Camarate, encontra-se em processo de demolição desde Março, altura em que foi ordenada pela Câmara de Loures a desocupação das casas. As demolições têm vindo a motivar protestos de moradores e associações de imigrantes, uma vez que a decisão da autarquia implica que 63 famílias, não abrangidas pelo Plano Especial de Realojamento (PER), fiquem sem alternativa habitacional.

Esta sexta-feira, numa iniciativa promovida pelas organizações Solidariedade Imigrante e Viver no Mundo, meia centena de habitantes do Bairro da Torre, em Loures, concentrou-se em frente à Câmara Municipal para pedir a interrupção do processo de demolição do bairro. “Queremos casa não queremos dinheiro”, gritavam bem alto os moradores para serem ouvidos, frente a um cordão de oito polícias que se perfilava frente à Câmara. Após uma longa espera, uma comissão com seis pessoas, entre representantes de associações, de moradores e a advogada que representa os habitantes da Torre, foi recebida por uma vereadora da Câmara de Loures Sónia Paixão.

Entretanto, ficou em cima da mesa a possibilidade não garantida de a Câmara candidatar estas famílias ao programa Prohabita, sendo que “só algumas delas preencherão os requisitos para poder beneficiar do programa”, explicou a vereadora da Coesão Social e da Habitação. A Câmara comprometeu-se a não deitar abaixo as casas das pessoas que não aceitaram os 600 euros da Segurança Social e exige as declarações de IRS a todos os habitantes do Bairro. Uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 10.

O bairro situa-se em terrenos contíguos ao Aeroporto Militar de Figo Maduro e do Aeroporto Internacional de Lisboa, embora em 2009 tenham sido adquiridos por um particular, e nele habitavam cerca de 1500 pessoas.

“Exigir uma solução habitacional para as famílias é uma questão de justiça elementar”

“O que se passa no Bairro da Torre é uma situação que não parece verdade, no século XXI, às portas da capital do país!”, comentou a deputada do Bloco Helena Pinto em declarações ao Esquerda.net.

A deputada esteve presente no protesto desta sexta-feira em solidariedade com os moradores da Torre que vivem “sem as mínimas condições de habitabilidade”, relatou.

Helena Pinto considera inadmissível que a Câmara Municipal não tenha uma solução habitacional para as 63 famílias que estão na iminência de ficar na rua. “Se não consegue encontrar solução para 63 famílias, o que é que esta Câmara poderá fazer no campo social?”, pergunta a deputada, acrescentando que no bairro existem várias casas devolutas. “O protesto foi fundamental para que a Câmara reagisse”, disse. 

O Bloco defende uma solução habitacional para as famílias e lembra que o PER “foi um bom programa, mas não pode parar no tempo porque os problemas habitacionais persistem”.
 

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