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Bulgária: jornalista assassinada ao investigar caso de corrupção

A jornalista de investigação foi assassinada na cidade búlgara de Ruse. Victoria Marinova deu a conhecer um alegado caso de corrupção com fundos da União Europeia que envolvia políticos búlgaros. 
Jornalista búlgara assassinada enquanto investigava alegado caso de corrupção
A Bulgária situa-se em 111º lugar no ranking mundial de liberdade de imprensa.

Uma jornalista búlgara que estava a trabalhar sobre um caso de alegada corrupção com fundos da União Europeia foi violada e assassinada no passado sábado na cidade de Ruse, na Bulgária. 

O ministro do Interior da Bulgária, Mladen Marinov, desvalorizou os comentários sobre a possibilidade de o ataque a Victoria Marinova estar relacionado com o trabalho da jornalista. “Este é um caso sobre uma violação e homicídio”, afirmou, dizendo não existirem provas de que a jornalista estivesse sob ameaça. 

Marinova era jornalista para o canal de televisão TVN, um dos mais populares canais de televisão do país, onde apresentava um programa de televisão chamado Detector. No primeiro e único episódio de uma nova temporada do programa, a jornalista entrevistou Dimitar Stoyanov, jornalista de investigação do site Bivol.bg, e Attila Biro, do Romanian Rise Project. Nesse episódio discutiram uma investigação sobre uma alegada fraude que envolve fundos da União Europeia e homens de negócios e políticos poderosos. 

Estes dois jornalistas já tinham sido detidos pela polícia búlgara quando tentaram impedir a destruição de provas relacionadas com este caso. A detenção levou a que os Reporters Without Borders (RSF) fizessem uma condenação pública do gesto da polícia.

Em declarações à AFP, Asen Yordanov, diretor do site Bivol.bg, afirmou ter sido informado de que os jornalistas que trabalham para o site estavam sob ameaça devido à investigação que surgiu no programa de televisão de Marinova.

“A morte da Viktoria, a forma cruel como foi morta, é uma execução. É para servir de exemplo, como que um aviso”, acrescentou Yordanov à AFP. 

Victoria Marinova é a terceira jornalista a ser assassinada na União Europeia em menos de um ano. A jornalista Daphne Caruana Galizia morreu na sequência da explosão de uma bomba colocada no seu carro em outubro de 2017; a jornalista estava a investigar um caso de corrupção entre a elite política de Malta. O jornalista de investigação Ján Kuciak e a sua companheira, Martina Kušnírová, foram assassinados a tiro enquanto estavam em sua casa, perto de Bratislava, em fevereiro de 2018.

 O GUE/NGL já veio exigir justiça para a jornalista:

Também a Comissão Europeia já veio pedir às autoridades búlgaras que investiguem e levem à justiça os responsáveis pela morte da jornalista.

A Bulgária situa-se em 111º lugar no ranking mundial de liberdade de imprensa. Os Repórteres Sem Fronteiras, no seu Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, afirmam que as "agressões físicas e ameaças de morte feitas a jornalistas por grupos criminosos são particularmente comuns na Bulgária".

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