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Brexit: The final countdown

No Reino Unido, quando há um problema, diz-se que o problema é resolvido através de um chá, mas nada pode ser mais incorreto quando falamos da política britânica. Texto de Alexandre Carneiro.
Para Theresa May, as eleições gerais de 2017 seriam a lança de Lancelote que mataria o monstro do socialismo. Mas isso não aconteceu. Theresa May perdeu a sua vantagem e Jeremy Corbyn conseguiu criar um momento eleitoral com um manifesto anti-austeridade
Para Theresa May, as eleições gerais de 2017 seriam a lança de Lancelote que mataria o monstro do socialismo. Mas isso não aconteceu. Theresa May perdeu a sua vantagem e Jeremy Corbyn conseguiu criar um momento eleitoral com um manifesto anti-austeridade

Quando existe um problema no governo, cria-se um slogan como o “Road to Brexit”, que não é mais do que um processo de alienação. Oficialmente, falta menos de um ano para a saída do Reino Unido da União Europeia, seguida de um processo de transição que vai durar até ao final de 2020. Desde o referendo de 2016 até ao dia de hoje, todos sabemos o mesmo. Nada!

Hoje sabemos que o processo do Brexit teve várias mentiras, e também como a Cambridge Analytica ajudou no voto do Leave, através do Facebook. A única coisa que não sabemos, é o que está a ser negociado ou que direção está a ser seguida. Hard Brexit? Soft Brexit? Esta decisão de escolher um ou outro caminho, não está a ser pública, porque não é algo leve para o partido Conservador.

Apesar de ser sempre reconfortante ver o partido Conservador a rasgar-se ao meio em lutas internas, não podemos esquecer que o referendo foi requisitado para salvar o partido Conservador, quando, pela primeira vez na sua história de quase 300 anos, o partido ficou em 3º lugar nas eleições europeias de 2014, e estava em perigo de ser desfragmentado à sua direita pelo UKIP. É este o ponto que ajuda a explicar a posição delicada do ministro do Brexit, David Davis, que tem de negociar a posição do Reino Unido com a União Europeia, sem comprometer o frágil equilíbrio em que o partido se encontra hoje, onde, de um lado, temos pessoas como Boris Johnson que acredita que o mercado global é a resposta; e do outro temos o ministro Philip Hammond, que não quer que a City de Londres (semelhante a Wall Street de Nova York) perca o mercado europeu.

Para Theresa May, as eleições gerais de 2017 seriam a lança de Lancelote que mataria o monstro do socialismo e permitiria que ela pudesse consolidar o seu poder dentro e fora do partido, permitindo-lhe ter força para negociar um paraíso fiscal às portas da Europa, sem qualquer tipo de direitos humanos. Mas isso não aconteceu. Theresa May perdeu a sua vantagem, como também parlamentares históricos, e Jeremy Corbyn conseguiu criar um momento eleitoral com um manifesto anti-austeridade.

Estas eleições - que seriam a morte do socialismo Britânico - transformaram-se no seu maior impulsionador, levando a uma posição de grande fragilidade de Theresa May.

Podemos especular sobre o que está a acontecer atrás das cortinas fechadas. Se vão existir fronteiras físicas entre as Irlandas, se os direitos dos imigrantes britânicos se vão manter, se a austeridade nos serviços público vai acabar - vários ses. Mas a verdade é que nenhuma informação concreta está a ser publicada. Nem pode! Caso contrário, Theresa May não resistiria e poderia impulsionar o Labour socialista. Por isso, este silêncio sobre o Brexit é desejável para Theresa May, e acontecimentos como o Skripal, podem ser uma boia de salvação ou uma âncora.

Texto de Alexandre Carneiro, militante do Bloco de Esquerda e emigrante no Reino Unido.

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