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Brexit em suspenso aguarda por novo adiamento

Boris Johnson conseguiu fazer avançar no parlamento a discussão do acordo de saída da UE, mas logo a seguir viu os deputados chumbarem a proposta para discutir tudo até ao fim da semana.
Boris Johnson no debate de terça-feira. Foto Parlamento britânico ©

Em mais um dia de incerteza política no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson teve razões para festejar e para se lamentar com as maiorias parlamentares desta terça-feira. Pela primeira vez desde o início do Brexit, os deputados aprovaram uma proposta para continuarem a debater e decidir o acordo negociado entre Londres e Bruxelas nas últimas semanas. Mas essa maioria desfez-se em seguida, com boa parte dos que deram luz verde à discussão a oporem-se ao calendário apertado para o fazer.

O governo queria fechar o Brexit nos próximos dias para poder cumprir o prazo de 31 de outubro, mas a complexidade e as consequências das matérias em debate para a vida dos britânicos pesaram na opinião dos deputados, que entenderam ser necessário mais tempo para esse debate.

Londres aguarda agora pela resposta de Bruxelas quanto ao adiamento da data limite para o Brexit negociado, com a imprensa internacional a apontar o fim de janeiro como cenário mais provável, embora não esteja descartada a hipótese de encurtar o prazo até ao fim de novembro.

O resultado da votação fez Boris Johnson recuar na sua ameaça de retirar a proposta de acordo e avançar para eleições. Também o líder da oposição, Jeremy Corbyn, que defendeu a realização de eleições assim que fosse assegurado um adiamento do Brexit e evitada a saída da UE sem acordo, não veio reclamar de imediato a ida antecipada às urnas.

Em declarações à Sky News, o ministro-sombra trabalhista da Justiça, Richard Burgon, afirmou que o partido irá apoiar a realização de eleições antes do Natal assim que a UE anuncie que concorda com o novo adiamento do Brexit. Uma opinião partilhada no mesmo canal televisivo pelo próprio ministro da Justiça, o conservador Robert Buckland: “Se essa é a única forma de resolver este impasse, então sim, vamos a isso”.

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