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Brasil: Primeira grande mobilização social contra o governo Bolsonaro

No dia nacional da Educação, 15 de maio, haverá uma greve geral de todos os setores do Ensino público, contra os cortes orçamentais decretados pelo governo e contra a reforma da Previdência. Trabalhadores da Petrobrás também participam. Por Luis Leiria.
Protesto em Niterói
Protesto em Niterói

A próxima quarta-feira, dia 15 de maio, vai ser marcada pela primeira grande mobilização social contra o governo ultradireitista de Jair Bolsonaro. No dia nacional da educação, todos os setores ligados ao ensino farão greve geral em defesa das aposentações, contra a chamada reforma da Previdência do governo, e contra os cortes de 30% nos orçamentos das universidades públicas, que ameaçam o seu próprio funcionamento.

Em entrevista ao site Brasil de Fato, Eblin Joseph Farage, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), disse ter a expectativa de que a greve seja um grande dia unificado de todos os setores da educação, o que não acontece há algum tempo. “Essa é a única possibilidade que temos de vencer e fazer frente a esses ataques que o governo tem feito”, afirma.

A sindicalista vê também a paralisação como um aquecimento para a greve geral de todos os trabalhadores, convocada pelas principais centrais sindicais para o dia 14 de junho.

Trabalhadores da Petrobrás participam

A jornada de quarta-feira conta também com a participação dos trabalhadores da empresa petrolífera Petrobrás. José Maria Rangel, coordenador da Fundação Única dos Petroleiros (FUP), explica que a empresa tem vindo a sofrer uma queda brutal nos investimentos, o que provoca uma baixPrimeiras reaçõesa sistemática da produção de petróleo, que já ocorre desde o primeiro trimestre de 2017. “A atual administração da Petrobrás quer acabar com a nossa empresa, e temos que lutar para manter a Petrobrás como uma empresa integrada de Petróleo”.

O coordenador da FUP vê uma ligação entre a perda de autonomia que vem sendo imposta à Petrobrás e o “desmonte da educação pública” promovido pelo governo.

“Estaremos dia 15 com os profissionais da Educação fazendo uma luta que deve ser a luta de todos, em defesa da educação pública de qualidade, contra a reforma da Previdência e em defesa da soberania”, completou.

Primeiras reações

Ainda antes da jornada de dia 15 já houve protestos em muitas universidades. No dia 6 de maio, centenas de estudantes da Universidade Federal da Bahia saíram às ruas de Salvador em protesto contra o corte orçamental que lhe foi imposto.

No mesmo dia, mais de três mil alunos, pais, funcionários e docentes de colégios federais fizeram um protesto que ocupou a frente do Colégio Militar, no Rio de Janeiro, onde o presidente Jair Bolsonaro participava numa cerimónia em homenagem aos 130 anos da instituição. Os manifestantes gritavam: "não vai ter corte, vai ter luta".

No dia 8 foi a vez dos alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte se manifestarem em Natal, bem como os estudantes e docentes da Universidade Federal Fluminense (UFF), que fizeram um grande protesto em Niterói.

“O corte na UFF afeta a cidade como um todo. Atinge todos os estudantes que pretendem estudar numa universidade pública, que faz muita pesquisa. A UFF tem diversos projetos de extensão e pós-graduação. A gente está aqui porque depende da universidade pública, onde se pode ter o livre debate, onde as diversas ideias podem circular”, disse André Borba, aluno de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFF, ao site informativo G1.

“A cidade de Niterói assistiu a uma enorme manifestação em defesa da Universidade pública. Em meus 30 anos de UFF, digo que foi a maior passeata que vi”, resumiu a docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, Louise Lombardo, ao site da Aduff. “O povo aplaudia das janelas e calçadas”, lembra Louise.

 

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Jornalista do Esquerda.net
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