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Brasil: manchas de óleo atingem parque natural

Desde agosto que um derrame de petróleo de origem desconhecida atingiu o nordeste do Brasil. A investigação aponta para navio grego. O governo de Bolsonaro é criticado pela ineficácia no combate à poluição e declarações polémicas como insinuação de que esta foi obra da Greenpeace ou a de que peixes escapam ao óleo.
Mancha de óleo no Brasil.
Mancha de óleo no Brasil. Fonte: twitter.

As manchas de petróleo que têm invadido o litoral da zona nordeste do Brasil chegaram agora ao Parque Nacional de Abrolhos, a primeira unidade de conservação marinha do país.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a Marinha, Agência Nacional do Petróleo e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis identificaram já pequenas bolhas na Ilha de Santa Bárbara que faz parte do Arquipélago de Abrolhos. O suficiente para causar alarme numa zona considerada fundamental para a biodiversidade do Atlântico Sul, devido à sua função de berçário, que alberga vários dos mais importantes bancos de corais brasileiros e várias espécies em vias de extinção.

De acordo com o boletim do Ibama do passado sábado foram identificados, desde o início do derrame, 112 animais atingidos, a maior parte tartarugas marinhas, dos quais 83 morreram. A mesma fonte indica que há até ao momento nove Estados, 110 municípios e 314 localidades afetadas. Entre elas há mais zonas ambientalmente sensíveis atingidas para além das áreas economicamente dependentes do turismo.

Do suspeito grego

Este derrame de petróleo teve, durante muito tempo, contornos de mistério. As investigações mais recentes da Polícia Federal apontam para que tenha sido o Bouboulina, petroleiro grego que se foi abastecer na Venezuela, o responsável. A sua proprietária, a Delta Tankers, é acusada de ter fugido sem ter comunicado o sucedido mas nega. Mas o Ministério Público brasileiro tem provas que o navio esteve retido durante quatro dias nos EUA por “incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga do mar”.

Às suspeitas conspirativas

A ineficácia do governo de Bolsonaro em lidar com o sucedido tem sido alvo de inúmeras críticas. Um movimento alargado de voluntários e organizações ambientalistas dedicou-se desde o início do problema a ações de limpeza. Só que as autoridades tardaram em atuar. Nomeadamente, só 41 dias depois ativaram o Plano Nacional de Contingência.

Para além da ação tardia, também tem sido criticada a atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que insinuou que teria sido a Greenpeace a responsável pela situação. A organização de defesa do ambiente respondeu processando o governante. Aumentando a contestação, ainda este sábado, o ministro que tem estado ausente do foco de poluição foi filmado pela Época num momento de lazer na praia na região de São Paulo.

Ausente tem também estado Bolsonaro que por isso também tem sido criticado. Questionado este sábado sobre se se iria deslocar aos locais afetados, respondeu “ainda não existe teletransporte”, isto uma vez que está em visita à Ásia. Também este optara pela via da explicação conspirativa, apontando baterias à Venezuela primeiro e a uma suposta organização criminosa com o intuito de prejudicar o país.

Na última ocasião em que culpou a Venezuela pelo derrame, estava ladeado pelo secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, que também contribuiu para a lista das declarações polémicas do governo. Ao explicar que a pesca continua a ser possível porque não há contaminação, este governante acrescentou “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo. Então, obviamente, você pode consumir o seu peixinho sem problema nenhum. Lagosta, camarão, tudo perfeitamente sano, capitão. Obviamente de vez em quando fica uma tartaruga ali na mancha de óleo, pra não falar que ninguém fica, né? Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem.”

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