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Brasil: a desflorestação da Amazónia aumentou 80% num ano e o Pantanal arde

Entre setembro de 2019 e setembro deste ano, a desflorestação da Amazónia aumentou 80%, segundo o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazónia. Também no Brasil, uma catástrofe atinge outra área ambientalmente sensível: o Pantanal está a arder intensamente há várias semanas.
Desmatamento na Amazónia. Outubro 2016.
Desmatamento na Amazónia. Outubro 2016. Fonte: Jeso Carneiro/Flickr.

O instituto que tem como objetivo estudar a Amazónia revelou esta quarta-feira que a desflorestação desta aumentou 80% em setembro de 2019 quando comparado com o ano passado. A floresta tropical diminuiu em 802 quilómetros quadrados neste mês.

Segundo o Boletim do Desmatamento de setembro do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazónia, a maior parte do desflorestação ocorreu no estado do Pará (53%), seguido de longe pelos estados da Rondónia (13%), do Amazonas (11%), do Acre (11%) e do Mato Grosso (10%). O Imazon informa ainda que 48% deste desmatamento aconteceu em terrenos privados, 31% em pequenas povoações, 14% em áreas protegidas e 7% em terras indígenas.

De acordo com a Lusa, um relatório do Conselho Missionário Indígena, agência ligada à Igreja Católica, informa que, nos primeiros nove meses de 2019, houve um aumento de 44% de terras indígenas, tendo sido atacadas 153 zonas em 19 estados.

A semana passada, um líder indígena pertencente aos Guardiões da Floresta, Paulo Paulino Guajajara, foi assassinado numa emboscada. A zona em que vivia tem sido alvo da cobiça de madeireiros e garimpeiros.

Pantanal arde, fauna e flora ameaçadas

Depois dos graves incêndios na Amazónia, agora é a zona do Pantanal que está a arder. Naquele que é considerado um dos biomas mais importantes do mundo, lar de cerca de duas mil espécies de plantas, 1.560 quilómetros quadrados foram destruídos em dez dias, uma área superior ao município do Rio de Janeiro. Com as chuvas intensas dos últimos dias, o fogo abrandou mas está longe de estar extinto.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais detetou 8.875 focos de incêndio na região, um aumento de 486% relativamente ao ano de 2018.

Uma nuvem densa de fumo proveniente de incêndios a 300 quilómetros de distância atingiu a capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, na noite de terça-feira.

Os incêndios estão a ameaçar várias espécies vulneráveis, como por exemplo as araras-azuis. À Folha de São Paulo Neiva Guedes, coordenadora do Instituto Arara-Azul, diz que “é como se a gente estivesse em um tsunami. Pura destruição”. Isto uma vez que, para além dos ninhos queimados e animais mortos pelo calor ou asfixia, esta espécie alimenta-se de dois tipos de frutos, acuri e bocaiúva, que vão demorar muito até recuperar.

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