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Brasil: Crise política agrava-se, crise pandémica bate recorde

Terça-feira foi mais um dia trágico para o Brasil, com um novo máximo de mortes por covid-19. Bolsonaro remodelou o Governo e viu as chefias militares apresentarem a demissão.
Jair Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise pandémica no Brasil não dá sinais de abrandamento, com os números oficiais de 30 de março a registarem 3.780 mortes em 24 horas e 84 mil novos casos, sem contar com os números do estado de Roraima, devido a problemas técnicos. Ao todo já morreram mais de 317 mil pessoas, fazendo o país subir à 19ª posição mundial no que respeita ao número de óbitos por 100 mil habitantes (151.2). Em números absolutos, o Brasil está apenas atrás dos Estados Unidos em número de casos e óbitos.

Durante a semana, Bolsonaro promoveu mais uma mexida no Governo, na sequência das pressões dos partidos aliados do Presidente brasileiro para afastar o chefe da diplomacia, Ernesto Araújo, cuja postura de confronto contribuiu para dificultar a abertura de portas para o acesso à vacina produzida noutros países. A remodelação acabou por assumir proporções maiores e foram também trocados os titulares das pastas da Justiça, da Casa Civil, da Defesa, da Secretaria de Governo e da Advocacia-Geral da União. Um movimento visto como cedência ao “Centrão”, o grupo de partidos que forma a maioria parlamentar que suporta o atual governo brasileiro.

Mas foi a substituição do titular da pasta da Defesa pelo até agora chefe da Casa Civil, general Braga Netto, que provocou o maior impacto político. Em protesto contra o que consideram ser uma tentativa de instrumentalização das Forças Armadas, os chefes dos três ramos militares apresentaram a sua demissão. Bolsonaro terá tentado mobilizar o exército para se opor aos governadores que decretaram o confinamento. Segundo a imprensa brasileira, o até agora ministro Azevedo e Silva opôs-se a essa manobra presidencial. O presidente terá também tentado afastar o comandante do exército, Edson Pujol, em dezembro e mais recentemente a imprensa deu conta das pressões sobre Pujol para vir a público criticar a recente decisão judicial que restituiu os direitos políticos a Lula da Silva.

Para o historiador Marco António Villa, em declarações à TV Cultura citadas pela TSF, ”o Presidente está caminhando para o golpe de estado. Trocou o ministro da Defesa, que várias vezes se colocou contra Bolsonaro quando ele queria instrumentalizar as Forças Armadas, em especial o exército, para as suas tentativas golpistas, e foi contra o que ele quis fazer na semana passada, de impor o estado de sítio”. Para este comentador político brasileiro, "Bolsonaro só vive do caos, portanto, ou a sociedade civil responde rapidamente ou teremos uma ditadura no Brasil - e pior, uma guerra civil".

Na sua primeira ação como ministro da Defesa, o general Braga Netto divulgou uma nota a defender a celebração do golpe militar de 1964, assinalado esta quarta-feira. A nota do ministro não é uma novidade e segue a prática do titular da pasta desde a tomada de posse de Bolsonaro, omitindo qualquer referência à ditadura e à repressão que se seguiu na sequência desse golpe.

A agitação política surge também no dia do anúncio dos números do desemprego, que continuam em níveis máximos desde 2012, com uma taxa de 14.2% nos três meses até ao fim de janeiro, o que corresponde a mais de 14,2 milhões de pessoas desempregadas.

 

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