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BPI alerta clientes para o “espectro” do Syriza

Num email dirigido aos seus clientes, o banco de Fernando Ulrich diz que as eleições gregas estão a “assombrar os mercados acionistas”. A última restruturação da dívida grega custou ao BPI 339 milhões de euros.
A restruturação promovida por Samarás custou 339 milhões ao banco. Mas o BPI anda preocupado com Tsipras... Foto João Relvas/Lusa

“A convocação de eleições antecipadas para o dia 25 de Janeiro não só compromete os avanços económicos que o país realizou em 2014 como também ressuscitou o espectro da vitória de um partido anti-europeísta”, diz a newsletter enviada esta quarta-feira aos clientes do BPI.

A comunicação do banco aos seus clientes recupera o boletim de 5 de janeiro, também publicado no Diário Económico, que traça os cenários políticos possíveis após a convocação de eleições antecipadas. Na altura, dizia o comentário semanal assinado por Vânia Duarte, a vantagem do Syriza nas sondagens estava a reduzir-se. Mas nas últimas semanas sucedeu o contrário, com todas as sondagens a alargarem a margem de vitória do partido de Alexis Tsipras no próximo domingo.

O comentário do BPI assinala o receio dos investidores face à possibilidade de um Governo do Syriza, cujo discurso “é caracterizado pela rejeição de qualquer medida adicional de austeridade para o povo grego, contrariamente ao discurso apresentado pela Nova Democracia, mais em linha com as ideias de Bruxelas”.

Banco perdeu 339 milhões na restruturação de 2012

O BPI foi o banco português mais exposto à dívida grega nos últimos anos e o que mais dinheiro perdeu na restruturação de 2012, promovida pelo governo da Nova Democracia e Pasok e apadrinhada pela troika: 339 milhões de euros. "Não tenho nenhum orgulho em ter decidido comprar dívida grega, naquela dimensão e naquele momento. Foi, obviamente, um má decisão”, afirmou Fernando Ulrich em março de 2012, citado pelo Correio da Manhã.

Em 2011, quando o processo de restruturação ainda não estava fechado, o BPI - como os restantes bancos detentores de títulos da dívida grega - assumiu uma perda de capital e juros de 50%. "Havendo reestruturação de dívida grega, o BPI também vai ter partilhar. O BPI tem 600 milhões de euros [em dívida grega], podemos perder 200 ou 300 milhões de euros", disse Fernando Ulrich em outubro de 2011 num almoço-debate promovido pelo Jornal de Negócios.

Mas com a conclusão do processo no fim de fevereiro de 2012, o banco de Fernando Ulrich acabou por registar perdas de 77%. A consequência desta revisão das contas de 2011 obrigou o banco a aumentar o prejuízo do BPI em 81 milhões de euros, totalizando 284,9 milhões.

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