Está aqui

Boris Johnson é eleito com a promessa de concretizar o Brexit

Boris Johnson é o novo líder do partido Conservador. Será nomeado primeiro-ministro esta quarta-feira, sucedendo a Theresa May. Quer concretizar o Brexit até 31 de outubro e admite uma saída sem acordo.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

Boris Johnson, antigo mayor de Londres, e Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros, disputaram o lugar que fora ocupado por May, concorrendo à liderança do partido Conservador. Hoje, Johnson torna-se no novo primeiro-ministro britânico, após um mês de disputa, que contou com um debate na televisão, 16 arruadas pelo Reino Unido e várias entrevistas. A última volta de votações foi aberta aos membros do partido.

Boris Johnson é conhecido por ter protagonizado a campanha para a saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 2016. Foi ainda muito crítico da estratégia do governo para o Brexit, tendo prometido aplicar a saída até 31 de outubro, “aconteça o que acontecer”.

O atual líder dos Conservadores herda uma crise política e terá de convencer a UE a retomar as renegociações para um acordo de saída. Contudo, admite uma saída sem acordo a 31 de outubro, embora se adivinhe que não lhe será fácil aprovar essa possibilidade no parlamento, devido à divergência dos partidos da oposição e de vários deputados do próprio partido Conservador, que agora tem uma maioria de apenas três deputados. Aliás, muitos desses deputados, incluindo os do partido de Johnson, afirmam que impedirão Johnson de avançar com um Brexit sem acordo.

Estima-se que Johnson comece a anunciar as principais nomeações ministeriais a partir de quarta-feira, e espera-se ainda que o seu nome conduza a várias demissões no Partido Conservador, agora profundamente dividido.

Na segunda-feira, Alan Duncan renunciou ao cargo de secretário de Estado para a Europa e América. Philip Hammond, ministro das Finanças, e David Gauke, ministro da Justiça, anunciaram que irão deixar o governo na quarta-feira, após a demissão formal de May. Deve ainda acontecer o mesmo com Rory Stewart, ministro do Desenvolvimento Internacional, que foi candidato à disputa que termina com Johnson e Hunt a lutar pela liderança.

Johnson já protagonizou ainda vários momentos polémicos. Além da crise política, já teve problemas com a namorada, Carrie Symonds, que obrigaram a intervenção da polícia: chamada ao local, acabou por dizer não encontrar motivo para tomar qualquer atitude. Segundo a gravação de um vizinho, divulgada posteriormente pelo jornal The Times, Symonds gritava “solta-me” e “sai da minha casa”.

As relações internacionais de Johnson incluem Steve Bannon, estrategista-chefe afastado do governo Trump e articulador da atual onda de líderes de extrema-direita pelo mundo, próximo à família Bolsonaro. Bannon foi ainda acusado nos EUA de ser o principal articulador de uma campanha de notícias falsas e de ter ligações com as interferênciaas da Rússia no processo eleitoral americano.

O jornal britânico Observer divulgou entretanto imagens que mostram Bannon a dizer que ajudou a produzir o discurso de renúncia de Johnson, quando este abandonou o cargo de chanceler do governo de May em 2018. Na altura, Johnson afirmou que a sua “suposta relação” com Bannon era uma “alucinação da esquerda”.

Boris Johnson nasceu em Nova Iorque em 1964. Em Inglaterra, estudou em Eton, escola privada, e depois da Universidade de Oxford, cumprindo um percurso tradicional da elite política britânica. Na Universidade, integrou Bullingdon Club, um antigo clube exclusivo para estudantes homens - regra geral, ricos -, conhecido pelas festas com álcool e confusão.

Começou a sua vida profissional como jornalista do The Times, de onde foi demitido depois de ter sido acusado de inventar uma frase de um entrevistado. Acabou por tornar-se conhecido no meio jornalístico como correspondente em Bruxelas do jornal The Daily Telegraph.

Entrou para o cenário político em 2001, ao ser eleito parlamentar. Em 2003, foi demitido de um alto posto na hierarquia do Partido Conservador ao ser acusado de ter mentido sobre um caso extraconjugal. Acabou por ser eleito de novo no ano seguinte. Em 2008, tornou-se mayor de Londres, cargo que ocupou durante oito anos.

Voltou ao parlamento em 2015. Foi secretário de Relações Exteriores durante dois anos, abandonando o cargo após vários problemas com May devido ao Brexit.

Termos relacionados Brexit, Internacional
(...)