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Boris chegou a acordo para o Brexit, unionistas mantêm reservas

Boris Johnson afirma ter chegado a acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Porém, o Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte, fundamental para a aprovação do acordo no parlamento britânico, diz não ter condições para aceitar o pacto.
Boris chegou a acordo para o Brexit, mas Unionistas da Irlanda do Norte mantêm reservas
Detalhe do mural de Banksy sobre o Brexit.

O Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP) tinha anunciado há poucas horas que “tal como estão as coisas”, não tem condições para aceitar o pacto que Londres estava a negociar com a União Europeia. O DUP é determinante para um acordo sobre o Brexit, pois Boris Johnson, sem maioria no Parlamento, precisa do seu apoio.

O primeiro-ministro inglês, porém, publicou há minutos no Twitter que já chegou a um acordo com a União Europeia.

 

“Temos um novo acordo que retoma o controlo – agora o Parlamento deverá despachar o Brexit no sábado, para podermos avançar para outras prioridades, como o custo de vida, o SNS, a criminalidade violenta e o nosso ambiente”, lê-se na rede social.

Em comunicado divulgado poucas horas antes do Conselho Europeu a ter lugar em Bruxelas, Arlene Foster, líder dos Unionistas, tinha feito saber que o partido tem reservas em relação ao acordo. O DUP, membro da coligação governamental britânica, não concorda com a proposta sobre a fronteira entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte. Esta posição põe em causa os planos de Boris Johnson, que pretendia concluir as negociações sobre o Brexit a tempo do prazo de saída: 19 de outubro.

 

Donald Tusk também já tinha anunciado que, para o Conselho Europeu, as bases para um acordo para o Brexit estavam “prontas”. Para o presidente do Conselho Europeu, “teoricamente” o texto do acordo poderia ser aprovado na cimeira de hoje, e assim foi, de acordo com Boris Johnson.

“As bases de um acordo estão prontas e, teoricamente, amanhã [quinta-feira] poderemos aceitar esse acordo com o Reino Unido”, tinha afirmado Tusk numa entrevista ao canal polaco TVN24.

“Ontem [terça-feira] estava disposto a apostar nisso, mas hoje surgiram novas dúvidas do lado britânico. As negociações estão a decorrer, estão a correr bem, mas tudo é possível com os nossos parceiros britânicos”, ressalvou, referindo-se à questão da Irlanda do Norte.

A fronteira entre as Irlandas tem sido a questão mais complicada nas negociações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, pois o estabelecimento de uma infraestrutura aduaneira pode pôr em causa o processo de paz no território.

“Participamos nas conversações com o governo. Tal como estão as coisas não podemos aceitar o que está a ser sugerido sobre questões aduaneiras e outros assuntos relacionados até porque a questão da aplicação do IVA não é clara”, refere o Partido Unionista, membro da coligação conservadora no poder no Reino Unido.

Porém, mantêm que irão “continuar a trabalhar com o governo na tentativa de alcançarem um acordo sensato que funcione para a Irlanda do Norte e possa proteger a integridade económica e constitucional do Reino Unido”.

Sabe-se que Boris Johnson esteve em negociações com os Unionistas no início desta semana. De acordo com a agência Lusa, a proposta do Primeiro-ministro vai no sentido de a Irlanda do Norte manter alinhadas as normas alfandegárias com a União Europeia em determinados setores, tal como a agricultura.

Johnson tinha dito que se recusava a pedir um adiamento do Brexit, mas a atual situação poderá obrigá-lo a isso, caso se pretenda uma saída com acordo ou se não for autorizada uma saída da União Europeia sem acordo. Sábado é o prazo final para pedir à União Europeia um adiamento até dia 21 de janeiro.

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