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Bombeiros profissionais protestam em Lisboa

Com greve marcada para 27 de novembro, “reclamam mais efetivos para as corporações profissionais e dizem não aos cortes e ao cancelamento dos ingressos e progressões na carreira”. E alertam que “o socorro é deficiente” nalgumas cidades.
Bombeiros reclamam mais efetivos para as corporações profissionais. Foto de Paulete Matos

Cerca de mil bombeiros profissionais de todo o país manifestaram-se esta terça em Lisboa entre o Terreiro do Paço e a Assembleia da República, em defesa da classe e contra as medidas do governo.

Em comunicado, a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais explicou que os bombeiros “reclamam mais efetivos para as corporações profissionais, dizem não aos cortes e ao cancelamento dos ingressos e progressões na carreira, pretendem uma carteira profissional e a regulamentação de horário de trabalho específico de 42 semanas, a exemplo do que foi aplicado aos médicos”. Os profissionais pedem ainda o “reconhecimento da classe e a contratação coletiva de trabalho, para salvaguardar os direitos conquistados”.

No início do desfile seguiram dois burros, simbolizando autotanques, carregando as inscrições: “Os novos autotanques do Governo” e “os autotanques para socorrer estes senhores”, uma frase acompanhada com as fotografias de Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar e Angela Merkel.

Fardados, os bombeiros profissionais, ao som de buzinas e sirenes, exibiram cartazes com as inscrições: “Regulamentação de horário de trabalho” e “A segurança das populações está em primeiro lugar”.

No meio da manifestação seguia uma coelheira, com cinco coelhos, que representa para os bombeiros a “coelheira do Governo”.

O socorro é deficiente”

O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, denunciou que as saídas de bombeiros profissionais por aposentação “não têm sido compensadas” com a entrada de novos elementos, sublinhando que “o socorro é deficiente” em algumas cidades, uma vez que as equipas saem para rua incompletas. “Há viaturas que saem para prestar socorro com apenas dois bombeiros, quando deviam sair com cinco elementos”, afirmou.

De acordo com Fernando Curto, mais de 200 bombeiros pediram ajuda à ANBP para se desvincular da função pública e irem trabalhar no estrangeiro, uma vez que muitos viram o vencimento reduzido em cerca de 200 euros, além da falta de emprego do cônjuge.

Os bombeiros têm uma greve marcada para 27 de novembro. A manifestação foi também promovida pelo Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP).

Em Portugal existem cerca de nove mil bombeiros profissionais entre sapadores, municipais, “canarinhos” e funcionários dos bombeiros voluntários.

(Foto de Catarina Oliveira)

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