Nesta quarta feira, as bolsas voltaram a cair significativamente. A queda verificou-se, em primeiro lugar na Europa, e depois contagiou Nova Iorque. O rumor de que a França poderia ver baixado o rating da sua dívida parece ter impulsionado a queda, apesar de o governo francês, assim como as agências de rating, ter negado. A actual queda bolsista é a continuação da crise iniciada em 2007, agravada pelas políticas de austeridade e agora centrada nos riscos de recessão nas economias europeias e norte-americana e na crise das dívidas soberanas.
Segundo o jornal “El Pais”, desde que estalou a crise em 2008 que as bolsas não acumulavam tantos dias seguidos de perdas. O jornal destaca que se está a viver o maior crash desde a Grande Recessão e sublinha que, desde a última cimeira europeia realizada a 21 de Junho, as bolsas já perderam mais de 10%.
Nesta quarta feira, os índices das bolsas europeias caíram significativamente: Milão 6,65%, Paris 5,45%, Londres 3,1%, Frankfurt 5,2%, Madrid 5,49% e Lisboa 1,25%. Na bolsa de Nova Iorque o índice Dow Jones caiu 4,63%, o Nasdaq 4,09% e o S&P 4,43%.
Os bancos foram os que tiveram maiores perdas. Em Nova Iorque, o Bank of America caiu 10,92%, o Citigroup 10,42% e o Goldman Sachs 10,1%. Na Europa, o índice do sector financeiro, o Stoxx Europe Banks, caiu 6,6%, tendo os bancos franceses liderado as quedas com perdas, por exemplo, de 14,95% do Societe Generale e de 12,58% do Crédit Agricole.
Num artigo publicado na segunda feira no “Financial Times”, Joseph Stiglitz tinha apontado que “a única certeza que existe agora nos mercados é que os problemas podem piorar”.
Paul Krugman afirmou nesta quarta feira no seu blogue no jornal “New York Times”: “Os decisores políticos praticamente em todo o lado falharam rotundamente, e parecem determinados em não acatar as lições da experiência”.
O Prémio Nobel da Economia, que foi extremamente crítico do acordo entre Obama, democratas e republicanos, diz sobre a dívida norte-americana: “Com taxas de juro da dívida pública a dez anos em 2,19% – 2,19%! – o que o mercado está fundamentalmente a assinalar é que se está nas tintas para o défice, e apavorado em relação às perspectivas de crescimento”.
Krugman sublinha ainda: "Criámos uma total desordem a partir do que era um problema resolúvel, com consequências que nos vão perseguir durante décadas".