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Bolívia: oposição recusa reconhecer resultados da auditoria da OEA

O inquérito internacional independente aos resultados eleitorais foi acordado entre o governo e a Organização dos Estados Americanos. Mas a oposição insiste que o único caminho é repetir a eleição.
Manifestantes na Assembleia popular de La Pz na quinta-feira
Manifestantes na Assembleia popular de La Pz na quinta-feira. Foto Martin Alipaz/EPA

A crise política na Bolívia continua, após os resultados oficiais terem dado a reeleição de Evo Morales na chefia do Estado por uma curta margem em relação aos dez pontos de vantagem necessários para evitar a segunda volta.

Nas ruas de La Paz e outras cidades, continuam as manifestações e bloqueios de estrada promovidos pela oposição para pedir a anulação da eleição, mas também concentrações de apoiantes do MAS, o partido de Morales, em apoio do presidente e desimpedindo as ruas das barricadas dos opositores. Os confrontos já fizeram dois mortos e 140 feridos desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

Na quarta-feira, o governo boliviano e a Organização dos Estados Americanos acordaram a realização de um inquérito internacional independente às eleições, cujas conclusões sejam vinculativas para todas as partes. Mas o segundo candidato mais votado, Carlos Mesa, já fez saber que não as aceitará e continua a reclamar novas eleições. Mesa afirma que o acordo foi feito “unilateralmente” pelo governo, sem a participação dos restantes partidos ou da sociedade civil. Por seu lado, Evo Morales apelou à oposição para que interrompa os protestos enquanto a investigação decorre.

Apenas um dia depois do início do inquérito, a missão internacional sofreu a primeira baixa, e logo a do seu chefe. O jurista mexicano Arturo Espinosa havia publicado na semana anterior um artigo de opinião sobre as eleições bolivianas, em que acusava Evo Morales de querer manter-se no poder a qualquer custo. Espinosa anunciou a sua demissão “para não comprometer a imparcialidade do processo”, que deverá durar duas semanas.

Entretanto, a oposição a Evo Morales organiza greves e manifesta-se nas ruas e realiza assembleias populares [cabildos] com milhares de pessoas, o que nem sempre é bom sinal para Carlos Mesa, que tem perdido apoios nas últimas semanas. Esta radicalização ficou bem patente no resultado de uma dessas assembleias em La Paz, que aprovou na quinta-feira uma resolução a apelar à repetição das eleições sem Evo Morales... nem Carlos Mesa.

 

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