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Bloco/Madeira denuncia “escravatura moderna” do outsourcing nas limpezas e segurança

A contratação externa de serviços de limpeza, segurança e outras atividades são estratégias para empobrecer quem trabalha e concentrar a riqueza nas mãos dos patrões, denunciou Paulino Ascensão na campanha para as eleições regionais.
Bloco em campanha no Funchal
Paulino Ascenção em campanha no Funchal para as regionais de 22 de setembro. Foto Bloco/Madeira

Na manhã desta sexta-feira, o Bloco de Esquerda esteve no Largo do Município do Funchal numa ação contra a precariedade, inserida na campanha para as eleições regionais de 22 de setembro. O cabeça de lista dos bloquistas madeirenses, Paulino Ascenção, referiu-se à limpeza das instalações que deixou de ser feita por funcionários da Câmara e passou a ser contratada a privados ainda na década passada.

“Há um conjunto de trabalhadoras que estão há 15 anos a fazer limpezas na Câmara, e eu conheço-as, que não têm qualquer vínculo com a autarquia. A cada dois ou três anos há um concurso e muda o “parasita” ou seja a empresa que presta os serviços à Câmara Municipal do Funchal, mas as trabalhadoras são as mesmas”, denunciou o candidato do Bloco. “Os salários são os mínimos possíveis, nunca progridem além do salário mínimo e não gozam das outras regalias dos trabalhadores com quem partilham o local de trabalho”, prosseguiu Paulino Ascenção.

Esta situação acontece em outras atividades – como a vigilância e segurança, os centros de atendimento (“call centers”) - e generalizou-se na Administração Pública, mas também no setor privado. O argumento a favor desta opção é sempre a baixa dos custos, mas os custos que baixam são os salários, a par da exploração abusiva dos trabalhadores, da precariedade, em suma o empobrecimento de quem trabalha, concluiu o candidato do Bloco/Madeira.

Paulino Ascenção apontou ainda alguns “sinais positivos” na autarquia funchalense, como o da criação de um corpo de polícia municipal que irá permitir que os serviços de segurança e vigilância das instalações da autarquia passem a ser assegurados pelos polícias municipais em substituição da segurança privada, com melhores condições de trabalho e de vida para os operacionais.

“No Privado temos o exemplo da Serlima, empresa do universo Pestana, que presta serviços a várias unidades hoteleiras, o que lhes confere flexibilidade. Mas a flexibilidade e baixos custos é conseguida à custa dos trabalhadores, do esmagamento dos seus rendimentos, que ficam na corda bamba”, prosseguiu o candidato, por entre críticas aos “partidos do poder [que] andam preocupados com a estabilidade governativa e a estabilidade do ambiente para os negócios”. Por seu lado, “ao Bloco de Esquerda o que preocupa mais é a estabilidade na vida destas pessoas que são a maioria, a segurança de saber se o rendimento vai chegar para pagar as contas do mês”.

Para combater “esta lógica do empobrecimento da maioria da população”, o Bloco de Esquerda defende que “quem trabalha numa instituição deve ter vínculo com esta e gozar das mesmas regalias que os demais funcionários” e irá continuar a  bater-se por isso na Assembleia Regional na próxima legislatura, concluiu Paulino Ascenção.

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