“A prisão de Lula não tem nada a ver com luta contra a corrupção. Estaremos sempre na primeira linha na luta contra a corrupção, aqui e em qualquer outro lugar, mas a prisão de Lula não é sobre corrupção, porque sabemos que Temer é Presidente e, se quisermos lutar contra a corrupção, primeiramente fora Temer", começour por afirmar Catarina Martins, no Porto, num almoço comemorativo do 19.º aniversário do Bloco de Esquerda. Segundo a mesma, “a prisão de Lula não é também o julgamento da política do PT (Partidos dos Trabalhadores) e onde o PT falhou”.
Referindo-se a vários problemas do Brasil, “ao agronegócio que destrói à Amazónia e persegue os sem terra”, ao “poder da banca ou das grandes construtoras” e ainda a quem esteve “na rua por transportes, por educação, contra a Copa”, Catarina considerou que “não foi seguramente Sérgio Moro, não será Sérgio Moro a fazer a luta de que o Brasil precisa”.
Referindo-se ao “património extraordinário” de lutas políticas levadas a cabo pelo Bloco, incluindo a legislação para a interrupção voluntária da gravidez e a luta por direitos laborais, afirmou que “Demos nome às lutas: precariedade. A precariedade no trabalho é a precariedade nas vidas.”, antes de dizer que temos um “sistema financeiro que sangra a nossa economia, que sangra o nosso país. Explicamos a toda a gente o que eram parcerias público-privadas, o que são os contratos abusivos na energia, que o planeamento fiscal é só uma palavra fina para dizer fuga ao fisco dos grandes grupos económicos com a autorização dos legisladores que não legislam em nome dos interesses do povo mas sim em nome dos interesses de alguns”.
Catarina foi ainda crítica em relação aos atrasos no PREVPAP, que exige que “seja cumprido”, já que “quem trabalha precário num trabalho permanente está a ver negado o seu direito básico” e que a precarização faz com que o “serviço público seja penalizado”. Este processo, no seu entender, “pode ser complexo, mas mais complexo é ser precário”.
Finalmente, referindo-se às reformas das longas carreiras contributivas, informando que, no dia 11 de abril, o Bloco irá apresentar um projeto-lei sobre o acesso a essas reformas. “A reforma está cada vez mais longe e se as pessoas já não conseguirem trabalhar têm pelo menos três cortes”, criticou, perguntando-se ainda “como é que quem tem 60 anos e quem trabalhou 40 anos está a pagar a sustentabilidade da segurança social?”
Para a coordenadora do Bloco, esta situação é insustentável, “a única coisa que ataca a sustentabilidade da segurança social é o emprego” e “é por isso que respeitar a geração que trabalhou toda a vida e respeitar as novas gerações qualificadas que querem aceder ao emprego é permitir a reforma por inteiro a quem tem 60 anos e 40 anos de contribuições”.
Sobre o projeto-lei, Catarina diz que “o que levamos a votos não é a proposta do Bloco, não porque desistamos da nossa proposta, mas porque não havendo maioria por ela fazemos o passo da convergência, que é exigir ao governo que cumpra a segunda fase das longas carreiras contributivas” e que “no dia 11, o que está em causa é nem mais nem menos do que saber se o PS cumpre a expectativa que criou junto de quem trabalha há mais de 40 anos e tem direito, claro que tem, à sua reforma”.