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Bloco questiona governo sobre instabilidade no grupo Global Media

Atrasos salariais e ameaças de despedimentos aumentam preocupação dos trabalhadores do grupo que detém a TSF, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e O Jogo. E devem preocupar também o governo, diz o deputado bloquista Jorge Costa.
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Foto António Cotrim/Lusa

Na pergunta dirigida esta segunda-feira à ministra da Cultura, o Bloco de Esquerda quer saber se o governo vai intervir “para assegurar a boa gestão, a defesa dos postos de trabalho e a sustentabilidade de órgãos de comunicação social com a importância, histórica e atual, dos detidos pelo grupo Global Media”.

A 16 de novembro, os trabalhadores da TSF reunidos em plenário deram à administração um prazo de dez dias para esclarecer qual é o seu plano de reestruturação e as suas implicações no grupo, o que até agora tem sido recusado. E exigiram também a divulgação das contas de 2018, “com as devidas explicações sobre as opções de gestão que levaram ao atual estado do Global Media Group, nomeadamente investimentos feitos em áreas que não tiveram o retorno esperado, prejudicando todo o grupo”. Os atrasos no pagamento de salários e a instabilidade na gestão do grupo, para além das explicações da empresa que não convenceram os trabalhadores quanto à demissão do diretor da TSF, António Reis, foram outras preocupações expressas nas conclusões do plenário.

Os despedimentos de 2014 já tinham afastado da empresa 160 trabalhadores, 64 dos quais jornalistas. Depois da entrada dos novos acionistas regressaram as notícias sobre os planos para despedir mais trabalhadores. Desta vez 200, o que corresponde a 30% dos efetivos do grupo. Em julho, foi confirmado o despedimento de 25 funcionários e “ao mesmo tempo, vão sendo conhecidas rescisões a conta-gotas de entre o quadro de jornalistas do grupo”, aponta o deputado bloquista Jorge Costa.

O grupo de comunicação que detém alguns dos títulos mais importantes da imprensa portuguesa tem atualmente como presidente da administração o advogado Daniel Proença de Carvalho e os principais acionistas são a KNJ Global Holdings Limited do empresário macaense Kevin Ho, com 35,25% do capital, e José Pedro Carvalho Reis Soeiro, parceiro de negócios de ex-responsáveis políticos angolanos, com 24,5%.

O plano anunciado passava pela internacionalização do grupo, mas os negócios que mais deram que falar foram os imobiliários: a venda do histórico edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade, que dará lugar a apartamentos de luxo, e da sede do Jornal de Notícias no Porto, que será reconvertido em hotel da cadeia Marriot pela mão dos compradores do edifício da Rua de Gonçalo Cristóvão. O facto de estes serem os próprios gestores do grupo KNJ, maior acionista do grupo vendedor, agrava as preocupações quanto ao rumo da Global Media.

Embora reconheça que o caso do grupo Global Media “não é único nem raro” num setor onde ser verificam “situações de instabilidade, alto endividamento e redução de efetivos noutras empresas de referência”, o Bloco entende que neste caso as iniciativas conhecidas “não são tranquilizadoras quanto à estratégia dos proprietários do grupo”. A isso junta-se a criação de duas empresas com sede nos offshores de Malta e Curaçao, sem que o Relatório e Contas de 2018 explique a razão da sua existência, o mesmo acontecendo ao destino da liquidez conseguida com os negócios imobiliários.

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