Bloco quer Teixeira dos Santos no Parlamento para explicar medidas de austeridade

12 de março 2011 - 18:59

“O Governo tem de explicar no Parlamento as novas medidas de austeridade que anunciou ao país”, disse Francisco Louçã, numa conferência de imprensa este sábado de manhã. Na próxima quarta-feira, Bloco irá propor a renegociação das parcerias públicas-privadas.

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“Já na próxima quarta-feira, o ministro das Finanças e o Governo serão chamados ao Parlamento para uma interpelação” para “discutirem as medidas que apresentaram” e para “sentirem a resposta da esquerda”, afirma Louçã. Foto de Paulo Carriço/LUSA.

Francisco Louçã afirmou que o Bloco está contra as medidas de austeridade e vai convocar o Ministro das Finanças ao Parlamento para explicar as medidas. “Já na próxima quarta-feira, o ministro das Finanças e o Governo serão chamados ao Parlamento para uma interpelação” para “discutirem as medidas que apresentaram” e para “sentirem a resposta da esquerda”, afirma Louçã.

“O Governo gosta de uma direita que o vai acarinhando nas medidas anti-populares e que lhe vai dando a mão”, mas terá à sua frente uma “esquerda que não só exige responsabilidade por estas medidas como apresenta uma resposta fundamental para os próximos 30 anos, que é renegociar as parcerias público-privadas para acabar com o assalto financeiro ao Estado feito pelas construtoras e pelo sistema financeiro”, afirmou Louçã.

Segundo Francisco Louçã “o governo desistiu de responder à chantagem financeira, aumenta a austeridade para perder dinheiro com a extorsão”. 

Louçã apontou um buraco de 1000 milhões no Orçamento de Estado e de outros 2000 milhões, referindo-se ao BPN. “O governo toma medidas que, para 2011-13, são mais de 5% do PIB, além de toda a austeridade já imposta”, disse.

Além disso, “há duas medidas secretas e não anunciadas, mas evidentes”, afirmou Louçã: poupança forçada nos subsídios de Verão e de Natal e entrada dos fundos de pensões da banca na Segurança Social, “aumentando os défices futuros”.

No primeiro dia de debate parlamentar da próxima semana o Bloco exigirá uma resposta em particular: “A renegociação das parcerias público-privadas”. Segundo Francisco Louçã, estas parcerias “comprometem o Estado durante 30 anos, com 48 mil milhões de euros” e por isso considera necessário “corrigir este erro”.

Louçã anunciou também que Bloco realizará ainda este mês umas jornadas parlamentares onde apresentará medidas de investimento para o emprego e para uma reforma fiscal “contra o risco de bancarrota”, e propostas ao nível do SNS, referentes ao acesso ao médico de família.

O chamado PEC4, apresentado pelo Governo de José Sócrates esta sexta-feira incluem cortes nas pensões e no Serviço Nacional de Saúde, aumentos das rendas dos mais idosos, aumento dos preços da electricidade e impostos e ainda a redução para 1/3 de todas as indemnizações de despedimento.