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Bloco quer saber que medidas serão aplicadas para evitar acidentes como o de Soure

Isabel Pires questiona o governo sobre se existe um plano de prevenção ferroviária e disponibilidade para investir em segurança. A FECTRANS exige demissão da administração da IP, já que “foi clara a atribuir culpas e depois procurou justificar a sua incapacidade de implementar as recomendações”.
Ferrovia
Foto de Nuno Morão | Flickr

Numa pergunta enviada ao governo, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda quer saber que medidas de segurança e prevenção vão ser aplicadas para evitar acidentes ferroviários como o que aconteceu em Soure.

De acordo com os bloquistas, “o desrespeito pela sinalização luminosa pelos veículos de serviço de Infra-estruturas de Portugal (IP) motivou o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF) a investigar um acidente ocorrido em 2016 na Estação de Roma-Areeiro. A investigação produziu um relatório com recomendações relacionadas com a formação dos condutores de veículos de serviço e com a necessidade deste material ser dotado de “convel”, que funciona como um controlador de velocidade que faz parar a composição em caso de falha humana. Porém, desde a publicação deste relatório, a frota da IP manteve-se inalterada e também nada foi feito para que a formação dos condutores destes veículos se aproximasse dos maquinistas”.

O jornal Público, avançou que entre 2010 e 2017 aconteceram 15 ocorrências em que veículos de serviço da IP ultrapassaram sinais vermelhos. Em 2018, verificaram-se 37 acidentes ferroviários em Portugal, um valor inferior aos 89 registados em 2006.

Para Isabel Pires, “esta evolução é transversal à maioria dos países europeus e resulta do desenvolvimento tecnológicos dos sistemas de sinalização entre outros motivos”. Mesmo assim, a deputada diz que “o erro humano permanece um fator de risco nos acidentes ferroviários que deve ser tomado em conta, pelo que deve ser dada máxima prioridade ao investimento na dotação da tecnologia Convel”.

O Bloco considera que a aposta na ferrovia deve passar “pela aposta na segurança ferroviária”. Por isso, questionou o Ministério das Infraestruturas e da Habitação se tem conhecimento do relatório da GPIAAF, se está disponível para investir na dotação “convel” e se existe um plano de segurança e prevenção ferroviária.

FECTRANS exige a demissão da administração da IP

Segundo a Lusa que citou um comunicado da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), a estrutura sindical criticou hoje, terça-feira, a administração da IP e exige a sua demissão.

Em comunicado, a FECTRANS refere que “é a altura do ministério da tutela substituir esta administração incapaz de dar prioridade a um assunto importante para evitar acidentes ferroviários e devolver à ferrovia o que é da ferrovia, concentrando nesta a gestão unificada de todos os seus segmentos – operação, infraestruturas e manutenção”.

A nota frisa ainda que “a administração foi clara a atribuir culpas e depois procurou justificar a sua incapacidade de implementar as recomendações a que estava obrigada, que se o tivesse feito, como todos reconhecem, teria evitado o acidente”.

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