Bloco quer resposta às populações, conter eucaliptos e apoio extra para bombeiros

20 de junho 2020 - 18:43

Catarina defendeu este sábado que, num momento em que o país está concentrado, e bem, na covid-19, não podemos esquecer o interior, a necessidade de proteção do nosso território e “não podemos descansar na prevenção e no combate aos incêndios”.

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A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, durante a visita às zonas afetadas pelos incêndios de 2017, em Tondela.
A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, durante a visita às zonas afetadas pelos incêndios de 2017, em Tondela. Foto de Nuno André Ferreira, Lusa.

A coordenadora bloquista visitou Dardavaz, freguesia em Tondela, no distrito de Viseu, que foi afetada pelos incêndios de 2017. Catarina Martins esteve acompanhada por moradores e empresários da Casa de Mouraz, empresa de vinho biológico que viu instalações e colheita afetadas por esta vaga de incêndios.

Durante a iniciativa, a dirigente do Bloco defendeu que “não podemos descansar na prevenção e no combate aos incêndios” e referiu três preocupações muito claras. Catarina Martins lembrou que muitas das populações fustigadas em 2017 não receberam ainda os apoios para reconstruirem o que perderam e que não está a ser feita a “reflorestação necessária”, sendo que continuamos a ter programas de reordenamento da floresta recentes “em que o eucalipto é a espécie prioritária”. “Não tem sentido”, frisou.

Em declarações aos jornalistas, a coordenadora bloquista enfatizou ainda que, do ponto de vista dos meios de combate, é necessário um reforço forte dos bombeiros “para que possam responder às duas crises que estamos a sofrer: a pandemia da covid-19 e os incêndios, que continuam a ser um problema em Portugal”.

Catarina Martins lembrou ainda que a população do interior é “duplamente fustigada neste momento”: “Aos problemas económicos e sociais da pandemia acrescentam-se os problemas não resolvidos da vaga de incêndios e da destruição do tecido económico que essa vaga de incêndios provocou”, assinalou.

“É importante que, no momento em que o país está concentrado, e bem, no enorme problema da pandemia da covid-19 não esqueçamos o interior, não esquecemos a necessidade de proteção do nosso território e não esqueçamos que os incêndios estão aqui outra vez”, defendeu.

O Bloco propõe que os programas para a floresta não sejam abandonados e sejam revistos tendo em conta, nomeadamente, o que o observatório de especialistas que foi criado na sequência dos incêndios tem vindo a propor. Em causa está, nomeadamente, o cumprimento, por parte do Estado, das suas obrigações na limpeza dos terrenos e apoio a essa limpeza. Os bloquistas esperam ainda que o orçamento suplementar sirva para capacitar os bombeiros dos meios necessários para responder aos incêndios, recordando que os mesmos têm sido confrontados com custos acrescidos para atender ao surto da covid-19.

“PSD quer limpar TAP com dinheiro público para entregar ao privado”

Questionada sobre as declarações de Rui Rio ao Expresso, em que o líder do PSD defende que o Estado deve assumir o controlo da TAP para deixar a empresa em “condições” para ser vendida num futuro próximo, Catariana Martins afirmou que acha estranho que “em Portugal ainda exista alguém que defenda um negócio em que os prejuízos são para o país e depois quando a empresa já está equilibrada se entrega a um privado para fazer lucro”.

“Ainda bem que o PSD reconhece que, como vai ser precisa uma intervenção pública na TAP, a empresa deve ter gestão pública. O que não se compreende é que o PSD queira fazer com a TAP o mesmo que se fez com os bancos, inclusive o Novo Banco, durante a crise financeira, que foi limpar com dinheiro público para entregar ao privado”.