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Bloco quer nova prestação social e combate férreo a trabalho precário

Catarina explicou este domingo nos Açores que o Bloco quer uma nova forma de olhar para a Segurança Social e uma nova prestação que acabe com esta floresta de apoios, que seja digna, que considere as crianças por inteiro e que retire do limiar da pobreza quem precisa desse apoio.
Foto de Esquerda.net

Durante um comício no Teatro Ribeirense, na Ribeira Grande, que contou com a participação de António Lima e Jéssica Pacheco, Catarina Martins afirmou que o Bloco quer “alterar a estrutura das prestações sociais e criar uma nova prestação que substitua RSI, o subsídio social de desemprego, os apoios pontuais aos trabalhadores a recibos verde que perderam o seu rendimento durante a pandemia mas, que, a maior parte deles, acabaram por não ter nada”.

“Uma prestação que substitua uma floresta de apoios que deixa quase toda a gente para trás e que faça uma coisa que é essencial, que é considerar que em Portugal não se deve viver abaixo do limiar da pobreza e considerar que as crianças não valem menos na hora de decidir o apoio que é necessário”, continuou.

A coordenadora do Bloco lembrou que, “hoje em dia, nesta multiplicidade de apoios que são dados, que não chegam para nada e que não permitem a ninguém reconstituir a sua vida, as crianças, quando se trata de calcular a condição de recursos, valem meio”.

“Um país com um problema de pobreza infantil diz que as crianças valem meio”, frisou.

Catarina Martins defendeu que precisamos de “uma nova forma de olhar para a Segurança Social e uma nova prestação que acabe com esta floresta de apoios, que seja digna, que seja útil, que seja transparente, que considere as crianças por inteiro e que retire do limiar da pobreza quem precisa desse apoio”.

“Reproduzir a pobreza não levará o país a lado nenhum”, destacou.

A dirigente do Bloco afirmou ainda que é imperativo “combater o trabalho informal” e “não pôr o ónus em quem trabalha, mas em quem abusa”. É preciso garantir um “contrato de trabalho a quem trabalha no nosso país”.

“Fazer justiça a quem trabalhou toda uma vida é um compromisso” que os bloquistas também não esquecem. Nesse sentido, propõem “recalcular as pensões de quem se reformou com duplas penalizações impostas no tempo da troika e que hoje já não existiriam”. “Uma reforma digna é o direito de quem trabalhou toda uma vida”, enfatizou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista referiu que é necessário um combate implacável à “economia de baixos salários que permeia o abuso sobre quem trabalha”, mantém um salário mínimo miserável e salários médios cada vez mais colados ao salários mínimos, alimenta-se de contratos precários e da desvalorização das carreiras.

De acordo com Catarina Martins, “não responder a estes problemas é falhar ao país”, “fazer de conta que o problema é só a pandemia é faltar ao país”, mas “fazer de conta que não se pode responder aos problemas do país por causa da pandemia também é faltar ao país”.

“Como podemos explicar que o governo do Partido Socialista tenha deixado na gaveta em 2020 700 milhões de euros por executar precisamente na área da Saúde, a que mais precisava de investimento?”, questionou.

A dirigente do Bloco enfatizou que “Portugal não tem problemas só por causa da pandemia, nem a pandemia desculpa não se resolverem os problemas estruturais”.

Na realidade, o “país não parou, a especulação imobiliária continuou”, e permitiu-se que o trabalho informal se generalizasse.

Catarina Martins apontou que o PS tem prometido que deixará “tudo na mesma e que vai apresentar o mesmo Orçamento do Estado que já tinha”, que “continuará a conviver alegremente” com o facto de “um terço dos médicos formados pelo SNS continuarem a preferir ir para o privado ou para o estrangeiro em vez de ficarem no SNS”. Ou “com o facto de enfermeiros e enfermeiras – dos profissionais de saúde mais bem formados da Europa mas também dos que menos ganham - terem de olhar para a emigração quando sonham com um salário digno”. Que continuará a “encolher os ombros perante os 30 mil alunos a quem faltam professores e a quem falta essa escola por inteiro a que têm direito”. E que “fechará os olhos aos três em cada quatro jovens que trabalha por menos de mil euros por mês”.

“Ninguém nos peça para fazer de conta que está tudo bem”, vincou a coordenadora do Bloco, assinalando que o que está “é a economia da desigualdade, que agrava as condições de vida e humilha quem vive dos seu trabalho e constrói este país”.

Avançando que conhece “a força retrógrada e mesmo o obscurantismo que está na direita”, Catarina Martins disse que os açorianos e açorianas também “sabem que quando chega ao clientelismo, à economia da desigualdade, há poucas coisas tão parecidas com a direita como a maioria absoluta do PS”.

“O Bloco é sempre a voz da exigência e a única voz contra a economia clientelar, contra o privilégio e que combate as desigualdades”, vincou.

Segundo a coordenadora bloquista, “a alternativa tem de ser transformação e tem de ser coragem para combater a economia de desigualdade e clientelismo e tem de ser a responsabilidade e a solidariedade de um país que não abandona quem está mais vulnerável”.

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