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Bloco quer impedir prospeção de petróleo em todo o país

“A ideia de que os hidrocarbonetos, o petróleo, é o futuro da energia é claramente uma ideia do passado”, afiançou esta segunda-feira o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares.
As jornadas parlamentares bloquistas decorrem esta segunda e terça-feira no distrito de Leiria.

O Bloco de Esquerda quer que o Governo impeça a prospeção de petróleo na bacia de Peniche, pretendendo que não sejam atribuídas novas licenças e se cassem as que estão em vigor em todo o país. Para isso, vai entregar, na Assembleia da República, um projeto de resolução, avançou esta segunda-feira Pedro Filipe Soares, durante uma visita ao Forte de Peniche.

“Nem exploração, nem investigação. [Queremos] a garantia de que a nossa costa não fica debaixo da alçada desses interesses”.

O líder parlamentar defendeu que Portugal precisa de “aprender com muito do mal que tem acontecido no mundo” e com os desafios existentes pela frente “no que toca às alterações climáticas”.

“A ideia de que os hidrocarbonetos, o petróleo, é o futuro da energia é claramente uma ideia do passado”, criticou.

As escolhas que governos anteriores fizeram no que toca à possibilidade de exploração de hidrocarbonetos na costa portuguesa colocam em causa “o nosso presente e o nosso futuro”.

Falando concretamente sobre o caso do concelho de Peniche, o deputado bloquista lembrou que tem “o coro de vozes de ambientalistas” que, por toda a “Costa Oeste” se tem levantado “contra a exploração de hidrocarbonetos no que isso significa de ataque à sustentabilidade ambiental, de ataque ao desenvolvimento da nossa costa e de possível prejuízo futuro do nosso país”.

Em maio de 2017, a Galp requereu o fim da posição dos parceiros na pesquisa de petróleo no bloco Camarão, na bacia de Peniche, solicitando a totalidade da concessão e posicionando-se como operadora do consórcio.

A pesquisa de petróleo na bacia de Peniche não tem atualmente contratos ativos, o que está relacionado com este pedido da petrolífera nacional de alteração contratual para o único bloco - Camarão - do contrato em que mantém interesse, uma vez que qualquer alteração contratual implica consulta aos municípios e aprovação do Governo.

A Galp detinha 30% do contrato de concessão, celebrado em 18 de maio de 2007, por negociação direta, que integrava ainda a Repsol (34%), Kosmos (31%) e a Partex (5%), que agora saem do consórcio, passando, se houver ‘luz verde' do Governo, a petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva a ser o operador.

Este contrato abrangia quatro blocos, designados por Camarão, Ameijoa, Mexilhão e Ostra, mas no primeiro semestre deste ano o consórcio desistiu de avançar em três concessões que detinha na bacia de Peniche, o que levou a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva a registar uma imparidade de 22 milhões de euros.

As jornadas parlamentares bloquistas decorrem esta segunda e terça-feira no distrito de Leiria.

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