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Bloco propõe encerramento de aterros sem condições e fiscalização apertada

Catarina Martins esteve esta segunda-feira no aterro de Sobrado, em Valongo. Durante esta visita, anunciou que o Bloco vai entregar uma proposta para encerrar todos os aterros sem condições e que prejudiquem a vida das populações. Bloco exige também uma "fiscalização a sério" dos aterros.
Protesto contra o aterro de Sobrado, em Valongo.
Protesto contra o aterro de Sobrado, em Valongo.

A coordenadora do Bloco ouviu, da parte da população local e da Associação Jornada Principal, inúmeras reclamações sobre as condições prejudiciais para a saúde provocadas pelo aterro, bem como sobre a omissão das entidades responsáveis no que respeita à defesa dos seus interesses e da sua qualidade de vida.

Lembrando que este aterro está a receber lixo importado, Catarina Martins defendeu que “o comércio e o transporte de lixo internacional são uma vergonha”.

“Portugal não devia querer fazer parte deste comércio, devia sim ser uma das vozes na Europa e na comunidade internacional a lutar para que o lixo seja tratado onde é produzido, por uma questão de proximidade, por uma questão óbvia de responsabilidade ambiental”, acrescentou, frisando que o país não pode sobretudo autorizar aterros que não se percebe o que é que estão a tratar e como é que estão a tratar, que ficam em cima das populações”.

Referindo que a 300 metros do local existe uma escola por onde passam todos os camiões, e que a menos de 300 metros encontram-se várias casas, a dirigente bloquista deu conta de que as populações têm sido confrontadas com pragas de insetos nunca antes vistas e com o cheiro insuportável que muitas vezes as impede de sair de casa.

Ainda que o Governo já tenha afirmado que vai rever as regras para estes aterros e para a importação de lixo, e que o Orçamento do Estado para 2020 já preveja um aumento do preço por tonelada de lixo para tentar desincentivar este tipo de comércio, Catarina Martins considera que estas medidas são insuficientes.

Nesse sentido, o Bloco vai entregar na Assembleia da República um projeto que visa encerrar os aterros sem condições e que já estão na sua capacidade e aqueles que, devido à proximidade de populações ou à forma como as afetam, tendo em conta as águas e os ventos, prejudiquem as condições de vida.

Os bloquistas querem ainda garantir a fiscalização apertada de todos os aterros e do lixo que entra em Portugal, bem como que as populações implicadas possam acompanhar estes processos.

“Estivéssemos nós a falar de uma medida ambiental que tivesse a ver com solidariedade entre os vários países para resolver os problemas, seríamos os primeiros a apoiar”, sinalizou Catarina, defendendo que não é isso que está em causa: "Estamos a falar de um negócio de milhões em que alguém ganha muito à conta da qualidade de vida e saúde das populações e isso tem de ser travado", rematou.

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