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Bloco preocupado com campo de golfe na margem do Mondego

Quer-se esclarecer porque se terreplenou um terreno em Coimbra. A instalação de um campo de golfe acarreta “riscos ambientais” mas a própria destruição de vegetação torna a zona “mais vulnerável a cheias” e acaba com benefícios como ensombramento, regulação térmica, melhoria da qualidade do ar e promoção da biodiversidade.
Golfe. Foto de Chris Urbanowicz/Flickr.
Golfe. Foto de Chris Urbanowicz/Flickr.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda enviou uma pergunta ao ministério do Ambiente e da Ação Climática a propósito da terraplenagem de um terreno na margem direita do rio Mondego, entre a ponte da Portela e a praia fluvial do Rebolim. Na operação foram abatidos “um vasto conjunto de árvores e arbustos” e em causa estão os riscos ambientais da possibilidade de criação de um campo de golfe no local.

O jornal Notícias de Coimbra tinha confirmado, a cinco de março, a localização e a existência do projeto mas as informações dadas pela Câmara Municipal de Coimbra sobre o assunto são contraditórias. Na segunda-feira, Carlos Cidade, vice-presidente da autarquia, confirmou que tem havido contactos com a Federação Portuguesa de Golfe para a construção de um campo de golfe junto ao rio. Na sexta-feira, o presidente Manuel Machado disse que é uma intervenção para eliminar espécies infestantes e remover resíduos.

O que é certo, para o Bloco, é que “a presença de vegetação nas margens dos rios contribui para a atenuação dos efeitos da subida das águas” e que assim sendo “a destruição do coberto arbóreo e arbustivo das zonas ripícolas desprotege as populações que residem nas zonas mais próximas, tornando-as mais vulneráveis a cheias". Para além disso, “a delapidação do património arbóreo faz com que se percam os benefícios proporcionados pelas árvores e arbustos, como o ensombramento e a regulação térmica, a melhoria da qualidade do ar, o sequestro de carbono, a promoção da biodiversidade, entre muitas outras qualidades que beneficiam quem vive e trabalha em Coimbra”.

O partido manifesta “com muita preocupação” com “este ato de destruição de árvores e arbustos na margem direita do Mondego e entende que devem ser prestados todos os esclarecimentos sobre o seu real objetivo". Isto, claro, “independentemente da limpeza de detritos urbanos e de espécies invasoras que esta ação tenha incluído”.

A possibilidade de construção do campo de golfe leva os parlamentares bloquistas a destacar “os riscos ambientais da sua instalação, face ao uso excessivo e desperdício de água, consumos elevados de produtos fitofarmacêuticos que contaminam solos e linhas de água, bem como a deposição maciça no ambiente de bolas de golfe cuja composição contém elementos tóxicos".

Outra questão levantada é “se a área aterraplenada, ou parte dela, está sujeita a regime especial de proteção e se se encontra inserida em área de Reserva Ecológica Nacional”. Isto porque “a delapidação do património natural é inaceitável, ainda mais quando aparentemente feita em nome de interesses de promotores de atividades de lazer para segmentos sociais muito limitados".

O governo é assim questionado sobre o seu conhecimento da situação, como avalia a terraplenagem e destruição do coberto vegetal e se a área terraplenada ou parte dela integra o domínio público hídrico.

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