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"Bloco não aceitou austeridade em 2011 e não vai aceitar em 2021”

Em entrevista ao jornal Expresso, Catarina Martins afirma que o Bloco de Esquerda se encontra disponível para fazer uma maioria que ajude o país a sair de uma crise causada pela covid-19. E diz que o regresso a um bloco central "seria um erro tremendo".
A coordenadora do Bloco de Esquerda recomendou alguma cautela na gestão das medidas de contenção face à evolução dos números da covid-19: "o meu medo é que, ao verem os números a abrandar, comecem a abrandar as medidas de contenção”.
A coordenadora do Bloco de Esquerda recomendou alguma cautela na gestão das medidas de contenção face à evolução dos números da covid-19: "o meu medo é que, ao verem os números a abrandar, comecem a abrandar as medidas de contenção”. Fotografia de Paula Nunes.

O Bloco de Esquerda “não vai aceitar a austeridade” que surja na sequência da pandemia da covid-19, afirmou a coordenadora do partido em entrevista publicada este sábado no jornal Expresso.

Catarina Martins esclareceu que não será pelo Bloco que “faltará maioria” para ajudar o país a sair de uma crise, mas que tal não pode ser carta branca para austeridade no ano que vem: “o Bloco não aceitou austeridade em 2011 e não vai aceitar em 2021”, avisa.

Mas o partido precisa “compreender se o Governo quer um próximo orçamento que responda pelo Serviço Nacional de Saúde e pelo emprego”, que permita o investimento e proteção dos salários e das pensões, contrariando a recessão, “ou quer voltar à velha austeridade do bloco central”.

“Achamos que há outra resposta possível, que demora o seu tempo, mas é mais forte. Estamos disponíveis para esse caminho e aceitamos inteiramente a nossa responsabilidade”, garantiu Catarina Martins.

O partido tem participado em diversas reuniões em várias áreas e considera que existem “todas as condições” para que as negociações corram “da melhor forma”, necessitando para isso que haja uma estratégia “claramente” definida.

“A única forma de ultrapassarmos a recessão é não termos políticas de austeridade e o Estado aparecer com políticas contracíclicas para garantir emprego, salário, investimento. Se o Estado se comportar como o resto da economia, que se retrai, então cai tudo, ficamos sem nada”, advogou, considerando que “esta é uma aprendizagem da crise de 2008 e é a opção fundamental” que terá de ser tomada.

Reagindo à disponibilidade de Rui Rio para formar um bloco central, a coordenadora do Bloco considera que tal “seria um erro tremendo”, pois tal seria “para impor medidas de austeridade, porque é para isso que o bloco central serve”.

“Pela parte do Bloco de Esquerda, não faltará maioria para que o Estado seja um agente para sairmos da crise e não para nos empurrar mais”, salientou, lembrando que “a resposta a uma crise nunca é o Estado juntar crise à crise”. O partido defende, assim, “muito investimento público e uma estratégia que não passe por o turismo ter este peso no PIB”.

Quando questionada sobre as medidas de isolamento e contenção da pandemia do novo coronavírus, defendeu algum cuidado na gestão das mesmas: “as medidas de contenção só podem ser aliviadas quando o número de casos deixar de crescer e for relativamente pequeno. Com os dados que há, se as pessoas mantiverem as medidas de contenção, pode não demorar muito tempo, o meu medo é que, ao verem os números a abrandar, comecem a abrandar as medidas de contenção”.

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