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Bloco exige relatório que extingue transportes

O governo quer que as pessoas trabalhem mais, e depois vão a pé para casa, acusa a deputada Catarina Martins, advertindo que as medidas propostas vão deixar as cidades desertas à noite.
Se as propostas se concretizarem "negam o direito aos transportes e à mobilidade à população". Foto de Paulete Matos

O Bloco de Esquerda pediu ao governo com caráter de urgência o acesso ao estudo que está na base da proposta de eliminação de serviços de transportes públicos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, desvalorizou as notícias sobre o encerramento de serviços de transportes públicos, afirmando que “o que existe são propostas” e que ainda não foram tomadas decisões. Segundo o ministro, o governo ainda irá ouvir as autarquias, as juntas metropolitanas antes de decidir.

Apesar de o relatório ainda não ter sido divulgado, sabe-se que propõe para Lisboa o encerramento da circulação em toda a rede do metro às 23h, e às 21h entre o Colégio Militar e Amadora e entre Campo Grande e Odivelas; a supressão de 23 carreiras da Carris, o encurtamento de 16, a redução da oferta em mais 23, e a supressão de todo o serviço nocturno. Outras medidas são o encerramento total das ligações fluviais ao Porto Brandão, Trafaria, Seixal e ao Montijo no fim de semana, e uma redução geral dos restantes horários; a redução da oferta da CP e o desaparecimento de títulos de passe próprios da Carris e do Metro.

"O que estamos a dizer às pessoas é que não só vão trabalhar mais horas, como depois não vão ter transporte, vão a pé para casa", disse à Lusa a deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, afirmando que se estas propostas se concretizarem "negam o direito aos transportes e à mobilidade à população".

"Mas não nos enganamos com o que têm significado os estudos deste governo: desculpas para acabar com serviços públicos". Catarina Martins apelou às populações para contestarem estas medidas que deixarão "as cidades desertas à noite" e que lesam "dezenas de milhares de trabalhadores" que trabalham em períodos nocturnos.

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