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Bloco deu "passo" e espera que "outros também deem", disse Semedo após reunião com PS

"Há nas posições do Bloco e do PS pontos comuns e pontos diferentes, as diferenças são conhecidas, mas nós insistimos que o caminho para tirar o país da crise exige como pressuposto e condição primeira a renúncia ao memorando, foi isso que dissemos ao PS", afirmou o coordenador bloquista aos jornalistas, no final de um encontro com a direção do PS, no Largo do Rato.
Foto Miguel A. Lopes/LUSA.

O coordenador bloquista, João Semedo, disse no final da tarde desta segunda-feira, após uma reunião com o PS que "o diálogo não anula todas as diferenças mas aproxima" e que o Bloco deu "um passo" que espera que "os outros também deem".

"Há nas posições do Bloco e do PS pontos comuns e pontos diferentes, as diferenças são conhecidas, mas nós insistimos que o caminho para tirar o país da crise exige como pressuposto e condição primeira a renúncia ao memorando, foi isso que dissemos ao PS", afirmou João Semedo. 

Os dirigentes bloquistas foram recebidos na sede do PS pelo secretário-geral António José Seguro e pelo líder parlamentar Carlos Zorrinho.

“É no cumprimento de uma política exatamente oposta da que está no memorando que a Esquerda se tem de entender”, afirmou João Semedo, sublinhando que o partido “está muito empenhado na construção de uma maioria social e política que abra caminho e espaço para um governo de Esquerda”, cita a TSF.

“Achamos que essa é a exigência que os portugueses fazem à Esquerda e essa é a responsabilidade que a Esquerda tem neste momento. A Esquerda não deve esperar. O diálogo aproxima as posições, não anula todas as diferenças, mas aproxima”, explicou.

A reunião com o PS foi mais um passo no processo para a criação de um governo de esquerda. Para se chegar a este objetivo, é preciso que “este Governo seja demitido”, defendeu Semedo.

"Um governo de esquerda que tenha por programa o memorando não é um governo de esquerda”

“Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política ao contrário da que está no memorando: o memorando protege os bancos, um governo de esquerda defende as pessoas; o memorando destrói a economia, um governo de esquerda constrói e faz emprego; o memorando é o paladino das privatizações, um governo de esquerda defende os serviços públicos, foi isto que dissemos ao PS", afirmou o líder bloquista.

Questionado sobre as eleições autárquicas, João Semedo disse que os dois partidos têm posições "em muitos aspetos convergentes", mas que "não há nenhuma proposta conhecida para qualquer entendimento à esquerda".

Perante a insistência dos jornalistas sobre se um governo de esquerda é possível sem o PS, João Semedo respondeu: "Um governo de esquerda que tenha por programa o memorando não é um governo de esquerda, a política do memorando não muda em função do governo que concretiza esse programa; não é por ser o PS ou o PSD a executar o memorando que este passa a ser de direita ou de esquerda, o memorando é o que é, é mau para o país, os resultados estão à vista".

Interrogado sobre quando será a reunião da direção do Bloco com o PCP, João Semedo disse que os dois partidos estão ainda "a acertar uma data conveniente".

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