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Bloco denuncia penalização por “delito de opinião” de trabalhadora do Hospital de Braga

A administração do Hospital de Braga moveu um processo disciplinar contra uma trabalhadora por esta ter publicado um comentário no facebook, num grupo de atuais e ex funcionários da instituição, onde se referia ao regulamento de fardamento do hospital, bem como à gestão do equipamento e à atual situação do SNS. Bloco questiona ministério da Saúde sobre este procedimento.
Hospital de Braga - Foto de Hugo Delgado/Lusa

Em abril, uma trabalhadora do Hospital de Braga escreveu um comentário no facebook, num grupo de atuais e ex funcionários da instituição, intitulado “Hospital de Braga”, onde se referia, entre outros assuntos, à gestão em parceria público privada (PPP) do Hospital de Braga, ao regulamento de fardamento do hospital, aos pagamentos obrigatórios do estacionamento e onde tecia críticas à atual situação do SNS.

Entre outros comentários, a funcionária questionava por que razão “é que não existem armários para todos os funcionários (guardarem separadamente a roupa da rua e as fardas)”. “Dizem as normas de higiene e segurança que devem ser guardadas em compartimentos diferentes. (…) Alguém se preocupa com isto? Não. Mas e o verniz? Isso sim (…), só transparente ou perolazinha muito discreto”, avançava ainda.

“Preocupem-se em não terem doentes na Ágora sentados num muro (expostos) ao frio e a correntes de ar. Preocupem-se com os doentes que fazem mais de duzentos metros a pé, à chuva e ao sol, para chegarem à entrada principal. Preocupem-se em fazer admissão de crianças e adultos em espaços diferentes na urgência. Preocupem-se com a qualidade dos serviços prestados e não com a quantidade de 'clientes atendidos' e mal. Preocupem-se em ter medicamentos necessários nas urgências e nos internamentos”, sugeria.

Quase quatro meses após a publicação do texto, o Conselho de Administração do Hospital de Braga decidiu mover um processo disciplinar contra a trabalhadora, que foi avisada por email duas semanas depois.

Tal como sublinha o Bloco, a mesma ainda “não recebeu a obrigatória nota de culpa, não obstante ter sido chamada a ser ouvida no dia 7 de setembro, às 11h30, na sala de reuniões do Departamento de Recursos Humanos do Hospital de Braga”.

O Bloco de Esquerda considera que “esta situação carece de esclarecimento urgente por parte do Ministério da Saúde, entidade máxima responsável pelo Hospital de Braga”, frisando que, “e não menos importante, não é aceitável nem concebível que a delação seja contemporizada e/ou que as pessoas sejam penalizadas por delito de opinião”.

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