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Bloco denuncia nova descarga de resíduos da Cofaco em Rabo de Peixe

A fábrica da Cofaco, em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, continua a efetuar descargas de resíduos não tratados para o mar. O Bloco já entregou uma queixa na Inspeção Regional do Ambiente e vai também levar o assunto à Comissão Europeia através do eurodeputado José Gusmão.
Vista parcial do Porto de Rabo de Peixe, Ribeira Grande, ilha de São Miguel, Açores. Foto de José Luís Ávila Silveira/Pedro Noronha e Costa, Wikipedia.

Estas descargas de resíduos da fábrica para o mar sem o devido tratamento são uma situação recorrente, pelos menos, desde 2016. A situação é do conhecimento da Direção Regional do Ambiente, mas curiosamente nunca foi dado um prazo à Cofaco para resolver os problemas que existem na Estação de Tratamento de Resíduos Industriais (ETARI).

O Bloco espera agora, perante esta nova denúncia, que haja novas ações inspetivas à fábrica e que seja imposto um prazo para a resolução dos problemas existentes. “Mais do que ver a mancha no mar, é preciso ir dentro da fábrica, porque é lá que está o problema”, alerta o coordenador do Bloco nos Açores.

Esta ETARI recebeu 840 mil euros de dinheiro público, que em vez de contribuírem para o melhoramento das condições ambientais desta zona costeira, não têm tido a finalidade que era suposto.

Uma vez que está em causa investimento público e fundos comunitários, o eurodeputado José Gusmão – que presenciou, no local, a semana passada, o triste cenário com uma enorme mancha amarela de resíduos no mar – vai dirigir uma pergunta à Comissão Europeia sobre a aplicação dos fundos europeus que foram utilizados na construção da ETARI desta fábrica da Cofaco, e que, aparentemente continua sem funcionar corretamente.

“Não é aceitável que, numa região que se diz de natureza intacta, uma situação destas continue, desde 2016, a acontecer recorrentemente nas barbas das autoridades, junto a uma vila onde moram muitas pessoas que todos os dias tem que conviver com este cenário e com cheiros nauseabundos”, disse António Lima.

“Não nos vamos calar e não vamos deixar de denunciar até que esta situação fique resolvida”, acrescentou.

António Lima abordou também a questão da poluição na costa de Vila Franca. Não pondo em causa a hipótese de a poluição se dever a causas naturais, considera que não pode ser excluído o problema do emissário submarino, porque muitos relatos de pescadores e operadores marítimo-turísticos que trabalham naquela zona dão contam de poluição na zona do emissário, e que também pode estar a provocar os problemas da qualidade da água no ilhéu.

Artigo publicado no site do Bloco Açores.

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